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quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Espécie inédita de orquídea no Ceará tem primeiro registro na Serra de Uruburetama

Pequena e delicada, as pétalas da orquídea formam um cálice(Foto: Kairo Mendes de Castro)
Era difícil acreditar que uma orquídea da espécie Trigonidium Acuminatum pudesse ser encontrada no estado do Ceará. Isso porque poucas regiões do estado oferecem condições adequadas para o surgimento da planta. Mas, foi em uma expedição pela Serra de Uruburetama que pesquisadores, naturalistas e fotógrafos registraram, pela primeira vez, a presença da espécie em solo cearense. "Não é que ela seja rara, ela ocorre em outros estados. Para essa região é um registro interessante, porque não tinha nenhuma ideia que ela ocorresse por aqui", reforça o pesquisador e naturalista presente na expedição, Roberto Otoch.

Ainda sem nome popular no estado, uma das hipóteses para justificar sua permanência na serra é o pouco interesse humano pela espécie, já que ela não apresenta características comuns a outras plantas da família. "O pessoal nem pensa que ela é orquídea. Na Serra de Uruburetama chamavam ela de parasita. Mas, não tem nada a ver. Ela não é uma planta parasita. Orquídea nenhuma é parasita", alerta Otoch. 

Pequena e delicada, o nome Trigonidium faz referência à posição das suas pétalas, que acabam por formar um triângulo. Algumas delas podem ser bastante perfumadas e são de fácil cultivo em regiões que a favorecem. Ainda assim, ela não é uma espécie que interessa aos orquidários, segundo o pesquisador. "A importância dela é mais pelo registro da espécie. Ela não é uma orquídea que chama atenção e nem é despertada pelos traficantes, porque ela não tem beleza. As flores são muito pequenininhas", conta Otoch. 

Roberto também faz parte da Associação dos Orquidófilos do Ceará. A equipe está catalogando a fauna e a flora do estado do estado. "A gente já tem um estudo bem extenso e completo. Isso vai para o catálogo de dados", explica. Somente Uruburetama, por exemplo, abriga entre 60 e 65 espécies de orquídeas das 105 já registradas em todo o Ceará.
Roberto Otoch e a Trigonidium acuminatum na expedição de agosto de 2019 (Foto: Kairo Mendes de Castro)
A Serra de Uruburetama, assim como outras serras do estado (Baturité, Ibiapaba, Maranguape, Aratanha), têm uma importância evolutiva enorme, conforme Roberto. "São testemunhas de que um dia e Amazônia chegou aqui, a floresta do Brasil central e a Mata Atlântica. Porque nessas nossas florestas, está tudo misturado". Em termos de evolução de espécie, a Serra de Uruburetama é uma das mais importantes para o Estado. 

Mesmo assim, a região conhecida como "Mãe da Rainha das Orquídeas", não possui nenhuma Área de Proteção Ambiental (APA). Os pesquisadores e moradores da região vêm, há algum tempo, solicitando esse reforço para a serra. Em 2018, a secretaria do Meio Ambiente do Estado do Ceará havia demonstrado interesse em construir uma APA na serra, mas o projeto ainda não saiu do papel.

Conforme o naturalista Roberto Otoch, um dos principais fatores que ameaçam a vegetação da Serra de Uruburetama é o cultivo desenfreado de bananas. "Uruburetama foi massacrada por uma ação de falta de planejamento de culturas não apropriadas. Tomaram a serra toda de bananeira e os fragmentos florestais restantes são tão pequenos que não estão garantindo a sobrevivência da fauna. A flora também já está sofrendo muito, porque fauna e flora andam juntas", argumenta. 

A serra também abriga uma das principais espécies de orquídeas, a Cattleya labiata, que faz a região ser conhecida internacionalmente. Ao O POVO Online, Otoch comentou se surpreender ao ainda encontrar variadas espécies na serra que já perdeu 80% da sua cobertura florestal original devido à exploração desordenada do cultivo de bananas. "Lá a situação é séria. É muito mais grave do que se imagina.", finaliza. Para o pesquisador, registrar uma nova espécie nesse local em que a vegetação sobrevive a "duras penas", como ele mesmo coloca, é de extrema importância para o Ceará.

Fonte: O Povo online

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