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quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Ex-guerrilheiro das Farc será interrogado no Ceará sobre extradição para os Estados Unidos

Governo americano acusa o colombiano Guillermo Amaya Ñungo de transportar 1,6 tonelada de cocaína ao país. Ele está preso desde setembro, em Fortaleza.


Por G1 CE
Guillermo foi encontrado pela PF com cabelos e barba brancos, em Fortaleza — Foto: Reprodução


O colombiano Guillermo Amaya Ñungo, de 55 anos, preso em Fortaleza em setembro deste ano, será interrogado por uma juíza do Supremo Tribunal Federal (STF) na 11ª Vara da Justiça Federal no Ceará, nesta quarta-feira (4), a partir de 10h. O governo dos Estados Unidos acusa o colombiano de transportar 1,6 tonelada de cocaína ao país e solicitou a extradição do ex-guerrilheiro das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Guillermo Ñungo foi detido pela Polícia Federal no Bairro Messejana, na capital cearense, no dia 17 de setembro, quando chegava a uma escola para buscar a filha adolescente. Com ele, foi apreendido um documento de identificação falso, no nome de José Jesus Rodríguez Hernandez - como ele se apresentava em território cearense. A defesa do preso não foi localizada pelo G1.

A realização da audiência desta quarta-feira foi determinada no dia 25 de novembro, pelo ministro do STF Edson Fachin. A decisão estabelece ainda:

que sejam adotadas as medidas de segurança no local de interrogatório;
a nomeação, se necessário, um intérprete de língua espanhola para acompanhar a audiência;
a intimação a Defensoria Pública da União para atuar na defesa do colombiano, se ele não tiver advogado.

Guillermo está preso na sede da Superintendência Regional da Polícia Federal (PF) em Fortaleza. Contra ele, havia um mandado de prisão para extradição, decretado pelo STF após solicitação do governo norte-americano. No Brasil, não há indícios de atividades criminosas do colombiano. Nos Estados Unidos, ele é investigado por tráfico internacional de drogas.

O G1 apurou que o preso já foi ouvido por autoridades norte-americanas na capital cearense. Há interesse do colombiano em realizar uma delação premiada. No dia 20 de novembro, o ministro Edson Fachin solicitou informações dos Estados Unidos sobre o pedido de extradição.

Prisão no Ceará

A Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) do Ceará recebeu informações sobre a localização do colombiano por meio da Coordenação de Repressão a Entorpecentes da PF em Brasília e da Drug Enforcement Administration (Administração de Repressão às Drogas, em inglês), vinculada ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

Segundo as investigações, o ex-guerrilheiro entrou a pé no Brasil pelo município de Pacaraima, na fronteira de Roraima com a Venezuela. O estrangeiro alegou que estava em Fortaleza há três meses e havia fugido da Venezuela por medo, pois teria sido sequestrado e sofrido extorsão por outros criminosos.

Ele era procurado por autoridades da Colômbia e dos Estados Unidos e é suspeito de enviar drogas da América do Sul para a América do Norte. A prisão do colombiano foi decretada pelo Tribunal do Distrito Leste do Texas, nos Estados Unidos, em 15 de outubro de 2009.

Conforme o Drug Enforcement Administration, Guillermo teria transportado 1,6 tonelada de cocaína em uma aeronave registrada nos Estados Unidos, da Venezuela para Honduras, no dia 16 de abril de 2014, para depois levar a carga a terras norte-americanas.

Grupo de guerrilha

O colombiano foi membro das Farc e atuou também em um grupo de guerrilha na Venezuela, de onde enviava drogas para Estados Unidos, México e Nicarágua, segundo a Polícia Federal.

As Farc foram criadas em 1964 como um grupo guerrilheiro que tinha o objetivo de implantar o socialismo na Colômbia. Mas a atuação do Exército Nacional, com apoio dos Estados Unidos, enfraqueceu o movimento.

Para se equipar militarmente, as Farc começaram a praticar sequestros de autoridades e tráfico de drogas, principalmente de cocaína, o que desgastou a imagem da organização para o povo colombiano.


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