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terça-feira, 29 de outubro de 2019

Advogados envolvidos com facções planejavam resgate de criminosos no presídio

Momento da prisão do advogado Alaor Júnior, um dos investigados pela Draco
Cinco advogados cearenses, que trabalham na área criminal, são investigados como envolvidos com uma facção criminosa que atua no estado. O grupo foi identificado a partir da descoberta de um plano cinematográfico para o resgate de dois líderes da organização. Dois dos advogados desapareceram após terem a prisão preventiva decretada e são considerados foragidos da Justiça. O plano de fuga dos “chefões” da quadrilha incluía a invasão a um presídio com carros disfarçados com a marca da Polícia Federal (PF), além do uso de armas antiaéreas, como metralhadoras calibre Ponto 30 (.30), fuzis e coletes.

Os cinco advogados passaram a agir como “pombos-correio” das facções dentro dos presídios do Complexo Penitenciário de Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), no começo do ano, após entrar em vigor a proibição do uso de telefones celulares. Bilhetes foram encontrados com os suspeitos e em suas casas e escritórios durante operações com o respaldo de mandados de busca e apreensão.

Os manuscritos revelavam vários crimes, além do plano de fuga que seria praticado em uma das Casas de Privação Provisória da Liberdade (CPPL). O objetivo era resgatar dois “chefões” da facção Guardiões do Estado (GDE), identificados como Francisco de Assis Fernandes da Silva, o “Barrinha”; e Thiago Alves do Nascimento, o “Tiago Magão”, criminosos de altíssima periculosidade. Depois da descoberta do plano, os dois foram transferidos pela PF para um presídio federal de segurança máxima em local estrategicamente não divulgado.

Nomes

Os cinco advogados que estão na mira das investigações do Ministério Público Estadual (MPCE) e da Polícia Civil são: Alberto Lucas Nogueira Lima, Alaor Patrício Júnior, Rafael Paulino Pinto Neto e Elizângela Maria Mororó, além de Lucas Arruda Rolim. Destes, dois permanecem foragidos: Alberto Lucas e Elisângela.

Alaor Júnior foi preso em flagrante na CPPL III no dia 19 de setembro com vários bilhetes que tratavam do plano de fuga. Dias depois, foi solto em uma audiência de custódia e passou a usar uma tornozeleira eletrônica. Em seu histórico criminal constam um assassinato no bairro Lagamar e um assalto à mão armada na cidade de Acaraú, em um posto de combustíveis, quando ele ainda era adolescente (menor infrator). Mesmo assim, obteve o registro da OAB-Ceará após se formar em Direito. Depois da prisão de Alaor, o Tribunal de Ética da entidade o suspendeu.

Presos e foragidos

Lucas Arruda Rolim foi detido por força de um mandado de prisão preventiva no dia 16 último, mas ganhou a liberdade através de habeas corpus. Elisângela e Alberto Lucas seguem procurados pela Polícia.

O vai-e-vem desses advogados nas unidades prisionais de Itaitinga levou as autoridades a iniciarem investigações a partir do levantamento de suspeitas da atuação deles na soltura de criminosos de uma só facção. Conforme foi constatado pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), somente o advogado Lucas Arruda Rolim fez neste ano 208 “visitas” a detentos de uma facção na CPPL.

A troca de mensagens entre criminosos e advogados tinha, entre outros fins, o tráfico de drogas, armas e munições, e o planejamento de fugas (resgates) e assassinatos. Em vários diálogos telefônicos interceptados pela Draco com ordem judicial foi possível estabelecer a conexão deles com o tráfico. 

Traficantes

Em uma das conversas interceptadas nas investigações do MP e da Draco, a advogada Elisângela Mororó fala de uma negociação de “blusas”, que, na verdade, é um codinome usado para cocaína. Cada “blusa” representa um quilo da droga. A “encomenda” que Elisângela cita na conversa com um bandido seria de quatro “blusas” (4 quilos de coca), ao custo de R$ 15 mil cada uma, totalizando R$ 60 mil.

O delegado Harley Filho, titular da Draco e responsável pela investigação, revela, ainda que o esquema criminoso entre bandidos de facções e advogados criminalistas vai muito além das conversas nos presídios. O grupo estaria envolvido também em outros delitos como enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro, falsificação de documentos públicos e privados e participação em organização criminosa.

Em áudios e vídeos, os bandidos exibem ostentação, em viagens para pontos turísticos famosos no Brasil, como Fernando de Noronha. Arrecadam altos valores com o tráfico de armas e entorpecentes e participam de um esquema de cota mensal de dinheiro, com valores de até R$ 300 mil, que vai servir para custear as ações criminosas e, ao mesmo tempo, enriquecê-los ilicitamente.

Fonte: CN7

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