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sábado, 7 de setembro de 2019

Projeto de estudantes do interior do Ceará se destaca no resgate de alunos que abandonaram a escola

Na Escola Estadual Adrião do Vale Nunes, em Santana do Cariri, alunos são responsáveis pelo acompanhamento de outros estudantes. — Foto: Divulgação
O abandono escolar é um problema complexo que afeta escolas do Ceará de Norte a Sul. Embora o estado apresente baixos percentuais de abandono, se comparado aos demais estados brasileiros, o gargalo preocupa. No Brasil, a taxa de abandono, em 2018, foi de 5,1%, segundo o Ministério da Educação. No Ceará, passou de 16,4%, em 2007, para 5,1% em escolas da rede estadual no ano passado. Isto equivale à desistência de 16 mil estudantes.

Em Santana do Cariri, município da região Sul do Ceará, na única escola da rede estadual, as taxas era altas, mas a iniciativa de um grupo de alunas tem provocado transformações, e a situação de abandono escolar, aos poucos, tem recuado.

Na cidade onde a população é estimada em 17.170 habitantes, a Escola Estadual Adrião do Vale Nunes, com 543 alunos, é a única que oferta essa modalidade no município. Na unidade, a estudante Maria Alicy Neres de Oliveira, 17 anos, ao se deparar com o abandono contínuo dos colegas de sala, decidiu organizar uma ação de busca ativa dos alunos faltosos. Ela não tinha experiência em "reverter possíveis abandonos escolares", mas, o incômodo gerado pela sensação de "ver os amigos deixarem a escola sem concluir o ano letivo", foi estímulo para tentar mudar essa realidade.

A estudante, que cursa o 2º ano do Ensino Médio, conta que quando ingressou na instituição, em 2018, o número de abandono era elevado. Em 2017, segundo ela, 79 alunos deixaram a escola. Conforme dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inpe), a taxa de abandono na unidade chegou a 14,7%. Em 2018, quando a iniciativa dela e de outras duas amigas já estava em curso, foram 59 desistências.

A primeira estratégia adotada por Maria Alicy e pelas amigas Liliane Silva e Joana Nunes foi mandar uma carta para um colega de sala que começou a faltar de modo contínuo. A ideia, explica ela, era fazê-lo saber da sua importância e deixar claro que a infrequência era sentida pela turma. A estratégia funcionou. O aluno retorno e contou que passava por problemas, o impactava a continuidade dos estudos. As estudantes, então, avaliaram que era hora de avançar na ação de resgate.
Três estudantes da escola participarão de uma conferência global em Roma, na Itália. — Foto: Divulgação
Iniciativa de alunas é premiada

Junto à escola, elas seguem desenvolvendo estratégias para acolher os estudantes que passam por dilemas familiares, vulnerabilidades, falta de renda, dentre outros fatores que fazem o Ceará ter a taxa de 5,1% de abandono escolar.

"Além das cartas, a gente faz algumas visitas, que chamamos de 'visitas animadas'. Descobrimos também algumas fatores que influenciavam eles a irem à escola, e também os que desmotivavam", conta a estudante. Os efeitos são expressivos e, neste ano, no primeiro semestre, a escola registrou apenas um abandono escolar. No segundo semestre, 10 alunos deixaram a escola. Destes, porém, oito foram em decorrência de mudanças de cidade.

A ação virou projeto, chamado Células Motivadoras. Nele, 20 alunos, divididos em três grupos, são responsáveis pelo acompanhamento sistemático do 1º, 2º e 3º ano na escola. Para o diretor da unidade, Thiago Soares, a ação dos estudantes comprova o protagonismo juvenil.

Neste ano, inclusive, o projeto foi um dos premiados pelo Criativos da Escola, promovido pelo Instituto Alana. A iniciativa faz parte do Design for Change, movimento global que surgiu na Índia e tem ações em 65 países. O projeto foi um dos vencedores e as três estudantes farão uma imersão em Roma, na Itália, no final de novembro. Elas participarão da Conferência Global de Crianças e Jovens “Eu Posso”, que deverá ter a presença do Papa Francisco, artistas e lideranças mundiais.

Alunos criam aplicativo

Conforme o diretor, no município com poucos recursos financeiros e oportunidades, muitas famílias "acabam migrando para outras cidades e isto afeta a continuidades dos estudos". "Essa iniciativa evidencia as nossas tentativas de melhorar a taxa de aprendizagem e aprovação. Eles continuam fazendo esse trabalho ao longo de 2019. Estamos vendo que está surtindo certo efeito, e a gente acredita muito no quanto os estudantes são produtivos. O aluno encara a possibilidade de melhorar de vida. Hoje, eles já começam a enxergar com outros olhos o papel da escola", ressalta.

O processo é lento e o dilema do abandono é tão dissipado que, segundo o diretor, a experiência dos alunos de Santana do Cariri tem sido buscada por diversas outras escolas. Há cerca de duas semanas, os alunos do projeto Células Motivadoras criaram um aplicativo, disponível para Android, que traz informações sobre a iniciativa e as ações realizadas, como rodas de conversa e palestras.

Fonte: G1 CE

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