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quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Ceará tem 20 municípios com alto risco de incêndios florestais, aponta pesquisa

Situação mais delicada é no Sertão dos Inhamuns; fogo pode devastar 10% de todo o território do Estado.


Por Alex Pimentel


Em 2019, já foram registrados 216 queimadas no Ceará — Foto: Birgit Lengert/Governo do Estado do Ceará

No Ceará, 20 municípios estão com alto risco de incêndios florestais. O quadro mais grave é no Sertão dos Inhamuns, seguido do Médio Jaguaribe e Sertão Central. Também há áreas nessa situação no extremo do Cariri e região Norte do Estado. O alerta, da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), é resultado de uma pesquisa realizada pelo seu Núcleo de Estudos Básicos.

O fogo pode devastar áreas enormes. Somadas, as regiões apontadas sob esse perigo representam 10% de todo o território cearense.

Em Tauá, nos Inhamuns, a área de risco supera os 1.600 km². Na cidade vizinha, Independência, são mais de 1.900 km² em perigo de incêndio. Esse espaço corresponde a quase dois mil campos de futebol nas dimensões oficiais do Brasileirão. Tamanha extensão territorial por si demonstra a impossibilidade de fiscalização presencial por agentes dos órgãos ambientais.

“Este estudo, iniciado em 2017 e concluído este ano, poderá nortear brigadistas do Ibama, o Corpo de Bombeiros e agentes ambientais do Estado e dos municípios no planejamento das estratégias de prevenção, monitoramento, controle de queimadas e combate aos incêndios florestais e, principalmente, subsidiar as políticas de autorizações de fogo controlado”, explica o autor da pesquisa, Manuel Rodrigues de Freitas Filho.

Mapeamentos temáticos do Estado realizados pela Funceme, dentre eles a cobertura vegetal natural, uso e ocupação da terra, unidades de paisagem, pluviometria média anual e índice de vegetação foram levados em consideração na pesquisa. “Com uso de técnicas de geoprocessamento, estes mapeamentos passaram por um processo de integração, resultando no mapa que indica as áreas mais vulneráveis à ocorrência de incêndios florestais”, acrescenta Rodrigues.

“O mapeamento é importante, poderá auxiliar no planejamento de operações do Batalhão de Polícia do Meio Ambiente (BPMA) da Polícia Militar do Ceará. A meta é evitar os incêndios. Sabemos que a maioria deles ocorre pela ação humana. Mesmo acidental é considerado crime. A pena é de dois a quatro anos (de prisão). Está previsto no Artigo 41 da Lei de Crimes Ambientais”, comenta a 1ª Tenente Luziane Freire, da 1ª Cia do BPMA.

Causas

Até o retorno da quadra chuvosa, a baixa umidade do ar e a vegetação seca serão os combustíveis ideais para propagação de incêndios. “As queimadas, uma prática tradicional na agricultura, sem controle, são as principais causas, mas até mesmo uma bituca de cigarro jogada casualmente na beira das estradas pode acender as chamas e causar os incêndios” aponta o coordenador do PrevFogo do Ibama no Ceará, Kurtis François Bastos. Ele conta cm uma equipe de 30 brigadistas.

Na avaliação de Kurtis, todo o bioma Caatinga está sob risco. Para evitar é importante coibir os manejos inadequados de solo.

Quadro meteorológico

Segundo o meteorologista da Funceme Raul Fritz, esse risco está relacionado às grandes massas atmosféricas de ar seco no país, principalmente pelo Interior. No último fim de semana, o órgão meteorológico oficial do Estado registrou níveis de alerta de umidade relativa do ar em Tauá e Jaguaribe com 15%, Iguatu com 17%, e Quixeramobim, 19%. A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera como ideal acima de 60%.

“As temperaturas mais altas também chegam para colaborar para o tempo mais seco. De forma geral, os baixos índices de umidade relativa do ar e os valores extremos de temperatura máxima acontecem entre o início e o meio da tarde”, acrescenta Fritz.

Nas últimas 24 horas, Redenção registrou a maior temperatura do estado com 37,4°C. Sobral, com 37,3°C veio logo depois. Já em Fortaleza, entre segunda-feira e esta terça, a máxima atingiu 32,5°C.

Monitoramento de queimadas

De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o período entre setembro e outubro registra os picos mais elevados de focos de queimadas no Estado. Em 2019, já foram registrados 216 no Ceará, a maioria, 194, em janeiro.

Nos últimos quatro anos, 2016 apresentou o maior número de focos de queimadas no Ceará. Foram 4.280 ocorrências, com maior número em novembro, totalizando 1.373 casos. No mês anterior, outubro, os focos chegaram a 1.241. Já em 2017, os 12 meses somaram 3.482 incêndio. A maior quantidade se concentrou novamente nos últimos meses, com 793 em outubro, 953 em novembro e 1.171 em dezembro. Em 2018 houve redução. Foram detectados 3.031 focos, a maioria nos últimos meses do ano: 591 em outubro; 860 em novembro e 723 em dezembro.

G1/CE

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