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sexta-feira, 17 de maio de 2019

'Dono da cadeia' mantinha esquema de lavagem de dinheiro e promoveu churrasco em presídio, diz MPCE

Operação 'Laranjas' descobre esquema de lavagem de dinheiro comandado por presidiário que movimento R$ 4 milhões — Foto: MPCE/Divulgação
O Ministério Público do Ceará (MPCE) desarticulou um esquema de lavagem de dinheiro comandado de dentro de presídios. A quadrilha envolvia parentes e amantes de Cláudio Aritana Lopes, conhecido como "dono da cadeia", entre 2016 e 2017, enquanto estava na Casa de Privação Provisória de Liberdade (CPPL V), em Itaitinga. No local, ele promoveu uma festa de réveillon com churrasco e whisky. Ele está preso atualmente em São Paulo.

Chefe do grupo, Aritana movimentou mais de R$ 4 milhões em contas de quatro amantes enquanto estava preso na CPPL V. Com o dinheiro ilícito, obtido por meio de golpes dados pelo celular, ele adquiriu 10 apartamentos, dois carros e uma lotérica.

Os golpes eram aplicados por ele e uma rede de golpistas montada por Aritana com outros internos. Iniciaram com sequestros falsos e passaram a ter como alvo lotéricas de cidades do interior. Com a compra da própria lotérica, o criminoso passou a entender o funcionamento do estabelecimento e realizar golpes mais lucrativos.

“Quando ingressou no sistema penitenciário, [Aritana] estava com as mãos quase vazias. Não estavam [completamente] vazias porque ele trazia consigo um instrumento de poder. O principal instrumento que ele tinha pra alcançar a liderança dentro da unidade era o celular. Não havia controle e ele, aos poucos, montou uma rede com outros detentos e ensinou a aplicar golpes de estelionato”, comentou o promotor Manuel Pinheiro.

'Posição de poder'


O esquema levou Aritana à posição de liderança no presídio. Ele também vendia drogas e celulares nas unidades e corrompia agentes penitenciários.

“Ele chegava a ter uma posição de poder em relação aos agentes penitenciários. Ninguém podia tocar no Aritana, mandar no Aritana. Ele corrompia e tinha muito poder dentro da cadeia. Por isso a expressão ‘dono da cadeia’. Tudo que ele pedia, queria, era permitido. Ele fez uma festa de réveillon dentro do presídio, com gelo, whisky, churrasco”, enfatizou o promotor Humberto Ibiapina.

O criminoso chegou a patrocinar uma exposição de arte dentro da cadeia. Ele forjava assinatura nas aulas de pintura para conseguir diminuir a pena.

“Tudo foi financiado por ele. A gente descobriu que tudo aquilo era feito pra que ele pudesse fraudar a remissão. Ou seja, ele não trabalhava, assinava as telas junto com outros presos e conseguia remir o tempo de pena, o que garantiu a ele que fosse posto em liberdade rapidamente. Por conta dessa situação, nós descobrimos que as presenças nas aulas eram falsas. Os próprios agentes penitenciários confessaram que não tinham controle disso”, explicou Ibiapina.

Aritana cumpriu 15 anos de pena nos presídios do Ceará, por crimes de estupro, estelionato e extorsão.

Ao todo, 11 pessoas foram denunciadas como integrantes da associação criminosa desarticulada na operação "Laranjas". Foram cumpridos mandados de prisão, busca e apreensão em Fortaleza, Quixadá e São Paulo.

Em Fortaleza, o alvo da operação foi um cartório clandestino que funcionava no Centro. No local eram elaboradas escrituras públicas de imóveis adquiridos no esquema e registrados em nomes de parentes de Aritana. Já em Quixadá e São Paulo, foram cumpridos mandados nas casas de amantes do criminoso.

A operação "Laranjas" é um desdobramento da operação "Mecenas", que apurou denúncias de corrupção dentro dos sistema penitenciário, deflagrada em março de 2018.


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