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sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Criança estuprada em presídio foi levada para exame na mesma ambulância que o preso

A mãe da criança estuprada dentro de um presídio na Grande Fortaleza denunciou nesta quinta-feira (18) um atendimento "constrangedor" para a filha após o crime. Conforme a mãe, ela foi levada do presídio onde o estupro até a delegacia e hospital na mesma ambulância em que estava o presidiário, apontado como autor do abuso.

"Chamaram a ambulância, ele [suspeito de estuprar a criança] veio atrás, e a gente veio escoltada por três agentes penitenciários. Viemos todos na mesma ambulância, ele atrás. Fomos levados pra delegacia, lá a gente registrou o boletim de ocorrência e fizeram o flagrante", conta. O homem recebeu atendimento porque foi agredido por outros presos e ficou ferido.

A criança foi estuprada Casa de Privação Provisória de Liberdade (CPPL V), em Itaitinga, na Grande Fortaleza, no sábado (13), quando a penitenciária havia sido aberta para visita dos filhos de presidiários, devido ao Dia das Crianças. O crime ocorreu na ala onde ficam os condenados por crimes sexuais.

A mãe conta que a criança havia feito um brinquedo no presídio, com ajuda do pai, e queria assinar com o nome da professora para presenteá-la. Segundo ela, o presidiário que iria registrar o nome da professora com tinta foi o autor do estupro.

"Ela [a criança vítima de estupro] saiu com o pai pra assinar o brinquedo. Num momento de distração que ele [presidiário suspeito do crime] pegou ela num canto. Ela disse 'mãe, eu não venho mais aqui visitar meu pai'; eu perguntei 'por quê? Tem que ter um motivo'. Ela disse 'mãe, um homem tava pegando nas minhas partes’; e eu, 'onde?'. Ela fez assim: 'aqui'. Ele disse que ela não alarmasse. Aí ela disse 'mãe eu fiquei tentando sair, beliscando ele, aí ele foi e colocou o dedo nas minhas partes'."

"Quando ele deu uma bobeira, ela saiu correndo pra me contar. Eu fiquei logo nervosa, eu chamei meu marido pra resolver", acrescenta.

Os demais presos agrediram o suspeito do estupro. Em seguida ele foi atendido em um hospital e levado a uma outra unidade, para evitar um linchamento, segundo agentes penitenciários.

Ameaça à família

Após o crime, a Justiça proibiu a visita de crianças na unidade. A mãe conta que passou a ser ameaçada por mulheres de presos após a decisão da Justiça.

"Estou até com medo de voltar lá. As mulheres disseram que por minha causa proibiram os filhos delas de verem os pais", afirma.

A Secretaria da Justiça do Ceará (Sejus), responsável pelo sistema prisional do estado, informou que a visita de filhos e netos de internos é garantida pela “Lei de Execução Penal e sempre transcorreu normalmente, desde que as crianças estejam acompanhadas pelas responsáveis legais e que estejam cadastradas no Núcleo de Cadastro de Visitantes para tal fim”.

O presidente da Comissão de Direito Penitenciário da OAB-CE, Márcio Vitor Albuquerque também esclarece que não há impedimento legal para a entrada de crianças que vão visitar parentes no Sistema Penitenciário. No entanto, segundo ele, é responsabilidade do estado garantir a segurança dessas crianças.

O presidente do Conselho Penitenciário do Estado do Ceará (Copen), Cláudio Justa, afirma que o crime demonstra a insegurança no interior da unidade prisional, que sofre com a superlotação. O presidente do Copen comentou que não é comum esse tipo de ações contra familiares, já que os presos têm a visita como "sagrada".

"O que é preocupante é que hoje, em razão da superlotação, estamos presenciando problemas de acesso de agentes dentro de onde os presos ficam. Não é adotado um plano especial de segurança, já que é um horário sagrado pra eles. Fugiu da expectativa total", afirmou.

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