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segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Renda corroída: alta nos preços dos alimentos agrava inflação para os mais pobres

    

O avanço nos preços dos alimentos mais básicos como o arroz nos últimos meses vem sendo sentido fortemente pelos os mais pobres, observam especialistas. Até agosto deste ano, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Ampliado em Fortaleza (IPCA) acumula alta de 1,32%, enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor avançou 1,57% na Capital cearense. O IPCA mede a inflação dos produtos e serviços para as famílias com renda de um a 40 salários mínimos, enquanto o INPC faz a medição considerando a renda máxima de cinco salários mínimos.

O supervisor regional do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Reginaldo Aguiar, explica que isso ocorre porque a parcela da população que ganha menos acaba destinando uma parte maior da renda para a alimentação. "O grande problema é que as despesas com alimentação se elevaram muito durante a pandemia. Para as pessoas de renda mais baixa, as despesas com alimentação têm um peso maior. Por exemplo, um trabalhador que ganha R$ 1 mil gasta cerca de 20% com alimentação. Quem ganha R$ 20 mil não gasta R$ 4 mil de comida, mesmo que ele consuma alimentos mais caros. A proporção dentro da renda dele é menor", pontua.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável por apurar os dois indicadores, o peso do grupo Alimentação e Bebidas nos gastos mensais entre os fortalezenses que ganham de um a 40 salários mínimos é de 22,9%. Considerando os que ganham até cinco salários, o peso é maior: 26,3%.

"Então quando os produtos de alimentação sofrem uma elevação de preços, acaba sobrando menos renda dessas famílias mais pobres no fim do mês e eles têm mais gastos. É o que nós estamos vivendo nesse momento", explica Aguiar, avaliando que essa diferenciação na inflação entre os que ganham menos e os que ganham mais estava melhor equilibrada antes dos impactos econômicos provocados pela pandemia.

"Com o auxílio emergencial, famílias que não tinham renda alguma passaram a ter", diz, detalhando que isso provocou algo "que não deveria ter acontecido". "Algumas empresas aproveitaram o momento em que essas pessoas estão com mais renda para aumentar a margem de lucro. Quando começou a pandemia, tivemos problemas para conseguir itens básicos. E é o que nós estamos agora vendo com os alimentos", lamenta o supervisor regional do Dieese, reforçando a importância do auxílio emergencial.

Segurança alimentar

Ele lembra que o arroz, a carne e o óleo, além do feijão, têm protagonizado a alta de preços entre os alimentos nos últimos meses e que são produtos de difícil substituição. "Isso é a base dos cearenses", lembra. "Isso tá fazendo com que o indicador que mede a inflação para os trabalhadores até cinco salários mínimos reative uma elevação significativa em relação ao IPCA", diz Reginaldo Aguiar.

Sobre a elevação do câmbio que favorece a exportação de commodities causando um efeito sobre a oferta interna, Reginaldo Aguiar afirma que "não se pode desabastecer o Brasil e deixá-lo à míngua com produtos básicos". Para ele, uma solução para evitar o problema seria o estabelecimento de cotas de exportação para evitar a ocorrência de uma fuga massiva desses produtos.

"A população brasileira deve ter sua segurança alimentar garantida. As pessoas precisam ter acesso à alimentação básica. A segurança alimentar do brasileiro mais pobre não fica garantida", explica. "A população que deveria estar sendo mais protegida, que é a de renda mais baixa, é a população que está sofrendo mais", arremata Aguiar.

De janeiro a agosto, o grupo Alimentação e Bebidas apresentou inflação de 6,28% entre os que recebem até cinco salários mínimos. Considerando as famílias com renda de até 40 salários, esse índice é de 6,10% no período, conforme os dados do IBGE.

Mais influências

O presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), Ricardo Coimbra, explica que, além dos alimentos, grupos como Habitação e o de Transportes possuem um peso maior na renda dos fortalezenses mais pobres. O grupo Habitação subiu 2,03% nos últimos oito meses no IPA, enquanto no INPC o avanço foi um pouco menor: 1,94%. Apesar disso, o peso dos gastos com habitação para quem ganha até 40 salários (16,7%) é um pouco menor quando comparado ao peso para quem ganha até cinco salários (17,2%).

Desigualdade

Ele também reforça que a população que recebe menos tem a renda mais corroída pelos gastos com alimentação e que os que possuem renda maior acabam direcionando os ganhos para outras finalidades, consumindo outros tipos de produtos e serviços.

Coimbra explica que "o índice inflacionário para os indivíduos que ganham menos tem um peso mais significativo nesse momento em função das alterações mais significativas nos preços dos alimentos".

"Se, neste momento, a gente tem uma variação nos alimentos muito maior do que a média de variação de preços em outros produtos de outros segmentos de consumo, os que ganham menos acabam sofrendo mais com o processo inflacionário do que aqueles indivíduos que ganham mais e que os produtos que compõem a sua cesta de consumo possuem um índice inflacionário menor", arremata.


Diário do Nordeste



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