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quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Agentes de segurança usavam sistema policial para extorsão




 Policiais civis e militares, alvos da Operação Gêneses, deflagrada na manhã desta na manhã desta sexta-feira (10) , pelo Ministério Público do Ceará (MPCE), usavam o sistema de informação da própria polícia para selecionar traficantes e planejar ações criminosas. O grupo chegava a extorquir até R$ 10 mil de traficantes. 

Ao todo, foram cumpridos 15 mandados de prisão e 17 de busca e apreensão, em Fortaleza e Maracanaúcontra oito policiais militares, dois policais civis e um policial civil aposentado, apontado como o líder da organização criminosa, além de quatro homens suspeitos de atuar como traficantes. Falta cumprir mandados contra um policial militar e um policial civil.

Após a prisão, os policiais civis, o policial aposentado e os quatro traficantes foram levado para a sede da Delegacia de Capturas. Já os PMs, foram encaminhados para presídios militares. Os mandados foram expedidos pela Vara de Delitos de Organizações Criminosas e pela Vara da Auditoria Militar do Ceará.

Conforme Adriano Saraiva, promotor de Justiça do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), os agentes aproveitavam informações privilegiadas para escolherem traficantes para extorquir. "Eles faziam todo o levantamento, através do sistema da polícia, levantavam os antecedentes criminais, os bens do suspeito e, a partir disso, escolhiam o dia e horário onde esse traficante iria ser abordado. No momento da ação, eles extorquiam os criminosos em valores que poderiam variar entre R$ 5 mil e R$ 10 mil", relata.

De cordo com o Rinaldo Janja, coordenador do Gaeco, a atuação dos policiais foi identificada durante uma operação que inicialmente tinha como alvos integrantes de facção criminosa. "As investigação iniciaram contra integrantes de facção criminosa e, no decorrer da operação, nos deparamos com policiais militares, policiais civis e traficantes atuando em conjunto. Detectamos nove policiais militares, três civis e cinco não-policiais, que seriam traficantes", afirma.

Em nota, o advogado do Sindicato dos Policiais Civis e de Carreira do Estado do CearáKaio Castro, informou que o setor jurídico a entidade está companhando o caso. "Estamos acompanhando desde às 6 horas os procedimentos de buscas e apreensões e cumprimentos dos mandados de prisões. Não foi disponibilizada ainda nem mesmo a decisão que deu origem as medidas, logo não sabemos quais são as acusações. Protocolamos pedido de acesso ao processo ainda pela manhã de hoje e aguardamos o deferimento rápido para as medidas cabíveis", disse.

Conforme o Ministério Público, a organização criminosa era integrada, em sua maioria, por agentes e ex-agentes de segurança do Estado, além de pequenos e médios traficantes locais. Juntos, o grupo praticava crimes de extorsão, comércio ilegal de arma de fogo, entre outras infrações penais. Os alvos dos policiais eram cuidadosamente escolhidos entre traficantes com considerável poder aquisitivo ou que já tinham alguma passagem pela polícia, o que facilitava as exigências, as abordagens e o alcance das vantagens almejadas pelo grupo.

Operação Gêneses teve início no final de 2016, com o objetivo de desvendar ações delituosas de grupos ligados a organizações criminosas, responsáveis pelo tráfico de drogas e armas, assaltos e homicídios na capital e na região metropolitana.

A ação conta com o apoio da Coordenadoria de Inteligência da Secretaria da Seguraça Pública e Defesa Social; do Departamento Técnico Operacional (DTO) da Polícia Civil; da Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD); da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) e do Comando da Polícia Militar.

Diário do Nordeste

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