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sexta-feira, 12 de junho de 2020

Agricultores rompem ilegalmente parede auxiliar do Açude Orós para obtenção de água

A ação, considerada dano ao patrimônio público pela Cogerh, tem por objetivo liberar água para o Açude Lima Campos até chegar às áreas de produção agrícola

Legenda: Os agricultores disseram que a abertura da parede é para "salvar culturas de capim, goiaba, banana e coco"
Foto: Wandenberg Belem


Um grupo de agricultores do Perímetro Irrigado Icó-Lima Campos, na região Centro-Sul do Ceará, arrombou, nesta quinta-feira (11), parte da parede de uma barragem auxiliar, no Açude Orós, o segundo maior reservatório do Ceará. O objetivo é fazer com que a água reabasteça, por gravidade, o Açude Lima Campos e em seguida possa irrigar áreas de produção agrícola.

Usando enxadas, chibancas e outras ferramentas, os irrigantes fizeram um corte na parede liberando a água em direção ao túnel para reabastecimento do Lima Campos. O presidente da Associação do Distrito de Irrigação Icó-Lima Campos (Adicol), Francisco Canindé de Souza, disse que a abertura da parede do reservatório é "para salvar culturas de capim, goiaba, banana e coco". 

“Os irrigantes estavam cansados de esperar por uma decisão da Cogerh (Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos), que não respondeu ao nosso pedido de transferência de água do Orós para o Lima Campos. Então apoiamos essa decisão de cortar a parede". justificou.

Produção Agrícola

Canindé lembra ainda, que nos últimos cinco anos, os irrigantes já tiveram prejuízos elevados com a perda de culturas agrícolas por falta de água. “Era preciso fazer alguma coisa, não tinha mais como esperar”, frisa. “A água agora escorre por gravidade e vai salvar a produção agrícola”.


Agricultores de Perímetro Irrigado arrombam parede auxiliar do açude Orós; veja vídeo https://bit.ly/37n0ecI 


Os irrigantes, temendo ser chamados a depor pelo ato, não quiseram ser identificados. “Estamos sofrendo muitos prejuízos, faz muito tempo. O açude Lima Campos e o Orós estavam secos, sem condições de irrigação, mas agora têm água que dá para irrigar, então porque não soltar essa água”, desabafou um deles.

Perímetro

O Açude Orós está com 28% de sua capacidade e o Lima Campos acumula 17%, de acordo com o Portal Hidrológico da Cogerh.

O Perímetro Irrigado Icó- Lima Campos é administrado pelo Departamento Nacional de Obras contra a Seca (Dnocs). Erivan Anastácio, do escritório regional de Icó, considerou um erro a decisão dos agricultores. “Se tivesse tido mais cautela teria sido melhor, uma saída negociada, pois é preciso respeitar as decisões do comitê de bacia”, disse. “Acho que foi uma decisão precipitada”.

As culturas frutíferas e plantio de capim para alimentação do gado ficam nos núcleos produtivos do Posto Agrícola, Delta, Alfa e Gama, na margem esquerda do Rio Salgado, no Perímetro Irrigado Icó – Lima Campos. Anastácio lembra que há um decreto estadual que não permite irrigação sem uso de tecnologia moderna. Nas antigas áreas de produção o sistema ainda é antigo, pois depende de investimento do Dnocs.

O órgão federal também informou que irá registrar um Boletim de Ocorrência (BO) por dano material ao patrimônio público.

Cogerh

O diretor de Operações da Cogerh, Bruno Rebouças, classificou a ação dos agricultores como "intempestiva, causando prejuízo ao patrimônio público". Rebouças pontua que a água vai seguir por gravidade, mas só por pouco dias. “Para restabelecer a transferência de água vai ser preciso ser fechada a parede da barragem para evitar o retorno da água”, frisa. “Eles causaram prejuízos a eles mesmos”.

A Cogerh ainda não decidiu se vai fazer o reparo na parede ou se vai deixar a água escorrer até o nível de gravidade.

O chefe do escritório da Cogerh em Crato, que abrange a bacia do Salgado, Alberto Medeiros, considera que o ato praticado pelos agricultores foi um crime, por depredação do patrimônio público e que será feita denúncia na Polícia Civil e no Ministério Público Estadual para as providências cabíveis. Sobre a alegação da Adicol de que solicitou bombeamento da água do Orós para o Lima Campos, Medeiros esclarece que:

“Essa operação só poderia ser tomada na reunião de alocação, em julho próximo, pois a Cogerh não trabalha de forma individual, e sim pela decisão coletiva”.

Fonte: Diário do Nordeste

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