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sábado, 20 de julho de 2019

Delegada diz que prefeito afastado de Uruburetama filmava pacientes por "fetiche sexual"

Após interrogatório, José Hilson Paiva confessou ter realizado registros não autorizados de pacientes

Joseanna Oliveira, titular da delegacia do município de Cruz na coletiva de imprensa sobre a prisão decretada do médico José Hilson de Paiva, que é investigado por estupro de pacientes em Uruburetama(Foto: Alex Gomes / O POVO )


Delegada titular de Cruz, Joseanna Oliveira afirmou em coletiva de imprensa na tarde desta sexta-feira, 19, que o prefeito afastado de Uruburetama, José Hilson Paiva, filmava pacientes porque aquilo havia se tornado um “vício”, um “fetiche”. Ele se apresentou à Polícia nesta tarde, quando confessou, em interrogatório, ter realizado registros não autorizados de pacientes ao longo dos 30 anos.

Secretário da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), André Costa também afirmou que “vasto material foi apreendido" na clínica do médico afastado. Segundo a delegada, dispositivos capazes de armazenar fotos e vídeos de pacientes estão sob o comando da polícia. “Apreendemos fichas médicas, com histórico de pacientes, alguns CDs, computadores, pendrives, que precisamos analisar para saber se há arquivos de pacientes”, explicou.
“Ao longo dos 30 anos que esse médico prestou serviço, ele fez registros não autorizados dessas pacientes. Inicialmente, segundo ele informou no interrogatório, os registros eram para se proteger de falsas notícias de abuso, porque ele havia se tornado prefeito, e tinha medo de que opositores políticos produzirem alguma denúncia falsa”, narrou Joseanna.
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“Mas depois ele disse que isso virou um vício, uma espécie de fetiche, que não conseguia parar de filmar, e saiu filmando todas as pacientes. (Filmava) Tudo o que acontecia no consultório, sem o conhecimento da direção de hospital, sem a ciência de diretores, funcionários. Nem a esposa dele, acostumada a acompanhar os atendimentos que ele realizava, tinha ciência”.

Ainda segundo a delegada, o prefeito confessou que teria procurado tratamento para tentar “curar o fetiche”. “Mas ele disse não conseguia parar de filmar”, não sabendo se isso acontecia “por problemas mentais ou de saúde física”. Conforme foi evoluindo a tecnologia, disse Joseanna, Hilson passou a adquirir novos equipamentos, aperfeiçoando as imagens. “Virou um fetiche, uma mania que ele não controlava mais”, explicou.

Hilson afirmou ainda, durante o interrogatório, que após tornar-se prefeito, não teve mais tempo de clinicar e, portanto, teria deixado de gravar pacientes. “No entanto, ele manteve as filmagens em um HD, que guardava dentro da própria residência, que segundo ele, sumiu, não sabendo de que forma e como isso aconteceu. E que depois de um tempo começou a serem compartilhados alguns vídeos”, complementou.

O Povo

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