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quinta-feira, 2 de maio de 2019

Mallory e Ypióca montam linha de produção em presídio no Estado

Ressocialização | A iniciativa faz parte do projeto piloto Cadeia Produtiva, do Estado, que oferece benefícios a empresas em troca do trabalho

YPIÓCA E MALLORY abrem vagas de emprego para o sistema prisional cearense para gerar inclusão social (Foto: Tatiana Fortes)

Em uma sala clara, com imagens de árvores, Giselle Silva, 30 anos, tece, em meio a outras 29 mulheres, casacas de palhas que vão dar vida a embalagens da Ypióca. Em outro espaço, são as mãos habilidosas de Leiliane Oliveira, 24 anos, e de outras nove trabalhadoras que montam as peças de um ventilador Mallory, a sexta maior vendedora de produtos portáteis no Brasil. O fruto do trabalho delas, que vai chegar às lojas, em nada se difere de outros tantos das marcas no Brasil, se não fosse por um detalhe: foi confeccionado de dentro do Instituto Penal Feminino Desembargadora Auri Moura Costa (IPF).

A iniciativa faz parte do projeto piloto "Cadeias Produtivas", da Coordenadoria de Inclusão Social do Preso e do Egresso (Cispe) do IPF, que começou a rodar no último dia 30. É também o primeiro após lei aprovada pelo Estado, no ano passado, que oferece benefícios a empresas que instalarem linhas de produção dentro dos presídios.

Além de poder fazer estas contratações sem encargos sociais, Mallory e Ypióca recebem redução de até 99% do ICMS do que for produzido nos locais. Em troca, há o compromisso de oferecer capacitação e oportunidade de trabalho aos internos em uma quantidade equivalente a 10% do quadro funcional da empresa. As internas recebem 75% do salário mínimo, conforme previsto na lei de execuções penais, e remissão de pena de um dia a cada três trabalhados.

O pagamento tem divisão determinada pelo Fundo Rotativo, que determina que 50% sejam destinados à família, para auxílio no sustento e custeio de despesas das internas; 25% para administração das unidades prisionais e qualificação dos gastos no setor; e 25% para pecúlio, um seguro vinculado a processos para cobrir despesas dos egressos.

"Acreditamos muito que a qualificação e a oportunidade de uma vida melhor podem trazer efeitos muito significativos para reduzir a reincidência", afirma o secretário estadual da Administração Penitenciária, Mauro Albuquerque. 

A Ypióca está capacitando 30 mulheres, mas a meta é chegar a 100 até o fim do ano. E a empresa vai comprando a produção delas, assim como já é feito com cooperativas no Estado. Daniela de Fiori, diretora de relações corporativas da Diageo, que detém a marca, explica que, para além do que está no contrato, será estendido às internas o tratamento que já oferecido aos demais funcionários da empresa, como ginástica laboral, campanhas e estrutura de trabalho.

"Nós queremos criar aqui as mesmas condições que temos em outras unidades, que é um ambiente mais alegre. Além disso, por meio do Instituto Diageo, vamos ensinar a elas outros produtos que possam ser feitos a partir do artesanato que é para ampliar o leque de oportunidades quando saírem".

Já a Mallory reproduziu no presídio uma linha completa de montagem com capacidade de entregar até mil ventiladores por dia. O investimento foi de R$ 200 mil. Mas a ideia é fazer pelo menos mais duas linhas de produção. Com isso, o número de internas capacitadas saltará de 10 para 30.

"Nós só podemos ter esperança se tivermos humanidade e para fazer isso de forma concreta é preciso criar oportunidades para quem não tem", afirmou em um discurso emocionado, o industrial Ramon Termens, presidente da Taurus Group, espanhola que detém a Mallory.

Para Leiliane Oliveira, que teve a sua estreia trabalhando em uma linha de produção industrial, esta é também a primeira vez nos seus 24 anos vividos que terá um salário certo no mês.

O Povo

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