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segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Partidos políticos no Ceará usam mulheres para burlar repasse de fundo eleitoral para campanhas

No intuito de garantir paridade entre os gêneros no pleito, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que os partidos destinem ao financiamento de campanhas de mulheres, no mínimo, 30% dos recursos do Fundo Eleitoral. No entanto, a regra ainda está distante da realidade de muitas postulantes. Levantamento feito pelo Diário do Nordeste constatou que há candidatas no Ceará que receberam recursos partidários e não os utilizam, enquanto outras seguem sem repasses e estrutura para fazer campanha.

Caso que chama atenção no Estado é o da aposentada Lucilene Correia da Costa, a "Mamãe" (PODE). Moradora da Praia do Titanzinho, no Serviluz, ela recebeu doação de R$ 300 mil da direção nacional do Podemos, mas até o momento, segundo informou, não recebeu um centavo sequer. Questionada se tinha conhecimento de recebimento de recurso da legenda, a candidata não soube informar.

O vice-presidente da sigla, Toinho do Chapéu, informou que os R$ 300 mil de "Mamãe" serão redistribuídos entre todas as candidatas a deputada estadual da legenda. Segundo ele, o valor foi alocado na conta da postulante porque era a única preparada para tal fim na data limite para transferência. O Podemos registrou candidaturas de apenas sete postulantes a deputada estadual neste ano. Destas, uma renunciou e outra está com registro pendente.

Outra candidata recrutada pelo partido é Vilmar Duarte Leite, a "Vilma", que, mesmo no período de campanha, segue a vida como funcionária de uma farmácia em Fortaleza. Ela foi candidata a vereadora de Fortaleza em 2016, quando teve 263 votos.

Muitos partidos insistem em candidaturas de mulheres que tiveram resultados inexpressivos em eleições passadas. Maria Estrela da Silva, a "Estrela Que Brilha" (PPL), que concorre pela quarta vez, teve na disputa mais recente, para vereadora de Juazeiro do Norte, em 2016, apenas 75 votos. Naquele ano, ela recebeu repasses do diretório municipal do PDT - e não do próprio partido - pela única vez depois de duas disputas sem recursos. Neste ano, ainda não declarou receita à Justiça Eleitoral.

Representação

Conceição Franklin (PSC) é outra candidata com histórico de derrotas eleitorais. Atualmente na quarta disputa, ela fez a primeira tentativa em 2012, quando recebeu 57 votos. Para vereadora de Fortaleza, em 2016, só recebeu a confiança de 40 eleitores. Oneida Pinheiro, também do Podemos, está na sexta campanha. Em 2014, ao tentar ser eleita deputada estadual, teve 261 votos. Em 2016, recebeu 180 sufrágios em busca de uma cadeira de vereadora.

De acordo com a plataforma DivulgaCandContas, do TSE, há outras candidatas em situação semelhante. Em 2014, oito mulheres que disputaram vagas na Assembleia não obtiveram nenhum voto. Cerca de 28 candidatas tiveram menos de 10 votos naquela disputa, e três tiveram apenas um voto.

Para deputada federal, nove mulheres tiveram menos que 40 votos. Em 2014, apenas duas mulheres - Luizianne Lins (PT) e Gorete Pereira (PR) - foram eleitas para as 22 vagas do Ceará na Câmara dos Deputados. Para a Assembleia Legislativa, dos 46 parlamentares vitoriosos, sete mulheres foram eleitas.

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