MÃE ADOLESCENTE
Mamãezinha tu se lembras
De quando eu fui concebido
Sua vida era um mar de rosas
Seu jardim era florido
Eu não tava nos seus planos
Tu só tinhas doze anos
Nem se quer tinha marido
Você era bem disposta
Era bonita e sapeca
Tinha uma pele rosada
Linda como deusa asteca
Mais na sua ignorância
Jogou fora sua infância
Seus sonhos e sua boneca
Mãezinha você pensava
Que era dona da verdade
Não escutava seus pais
Com sua ternura e bondade
Não gostava de estuda
Gostava de namorar
Mesmo com tão pouca idade
Os seus pais lhe reclamavam
Seus professores também
Só escutava os colegas
Não ouvia mais ninguém
Não namorava ficava
Isso sim você gostava
Ai eu fiquei também
Eu fiquei naquele dia
Que tu não foste à escola
Ficou zanzando na praça
Quase sempre dando bola
E foi ficar no escuro
Foi ali detrás do muro
Que conheci à senhora
Quando foi um mês depois
Foi o maior aperreio
Seu mundo que era bonito
Você já achava feio
Falou com papai na hora
Ele falou caia fora
Mas eu já estava no meio
E o seu sorriso lindo
Aos poucos já foi murchando
Pra você o mundo parou
Aos poucos foi definhando
E até os seus amigos
Tu vias neles inimigos
De todos foi se afastando
Envergonhava-se de tudo
Em todos havia um defeito
Quando olhavam tua barriga
Tu já ficavas sem jeito
Não saia mais de casa
Seu pensamento tinha asa
Não dormia mais direito
Um dia chegou uma amiga
Resolveu te aconselhar
Você deixe de besteira
Isso se resolve já
E pra aliviar seu tédio
Você tomou o remédio
Que era pra eu matar
Eu quase que papocava
Mas resisti com firmeza
Não morri to aleijado
E você teve a certeza
Que não sou o seu castigo
E que ficando comigo
Serás ma fortaleza
Por isso minha Mãezinha
É pura minha gratidão
Mesmo que não tenha os pés
Não tenha os dedos na mão
Não tenha orelha ou nariz
É como o povo diz
O importante é o coração
E neste dia sublime
Eu pergunto por que chora
Poderia ser pior
Eu estaria morto agora
Nesta hora de emoção
Eu falo de coração
Que amo muito a senhora
Zé da Legnas
A CRIANÇA E O FRACASSO ESCOLAR
A CRIANÇA E O FRACASSO ESCOLAR
Há um grito na garganta
Que teima em querer saltar
É a criança na escola
Que só vai pra merendar
Acabando com a esperança
Prejudicando a criança
Com o fracasso escolar
Começa com a família
Que está desestruturada
Em condições subumanas
Sem ter emprego e sem nada
Nem sequer tem moradia
Morando em periferia
Sofrendo e abandonada
Quando chega na escola
É baixo seu rendimento
Filhos de pais separados
E mesmo sem alimentos
Sem coragem pra estudar
O seu fracasso escolar
É acima dos dez por cento
Quando chega na escola
Encontra a classe lotada
Uma professora fria
Com uma cara fechada
Trabalha sem alegria
E sua luta do dia
Não vai render quase nada
Vamos ver o que está errado
Com o sistema de ensino
Que causa na educação
O transtorno, o desatino
Acabando com a esperança
Prejudicando a criança
E mudando seu destino
Pra criança e adolescente
É grande a dificuldade
Pois não aprenderam a ler
Desde a sua tenra idade
Vive sempre em agonia
E os erros de ortografia
Leva até a faculdade
Quando fala em matemática
É grande a deficiência
É uma matéria odiada
Pela nossa adolescência
Da forma que é ensinada
Garanto é inadequada
E traz pouca eficiência
A matemática e a escrita
Tem que ser eficiente
E deve ser ensinada
De uma forma diferente
De maneira decidida
Fazendo parte da vida
Da criança e adolescente
A educação infantil
Precisa ser despertada
A universalização
Precisa ser ampliada
E fazer parte dos planos
Por que do zero aos três anos
Já deve ser ensinada
Pra que as nossas crianças
Não caminhem no escuro
Precisa da educação
Sair desse grande apuro
Sem educação infantil
Pobrezinho do Brasil
É um país sem futuro
Zé da Legnas
PROCURA-SE UMA MÃE
A você que está feliz
E vive sorrindo atoa
Quando vou lhe pedir algo
só sabe dizer perdoa
E sempre se desencanta
Mas tem almoço e tem janta
As vezes de mim caçõa
Você que tem sua mamãe
E nunca lhe deu valor
Veja uma criança de rua
Como eu um sofredor
Vivo chamando atenção
As vezes nem quero pão
Só um pouquinho de amor
Você cha que é fácil
Viver sempre abandonado
Chegando perto de alguem
Já me olham atravessado
E sem alguem faz a besteira
De roubar uma carteira
Me olham como culpado
Não ligo muito pra vida
Muito menos pra escola
Faço um descuido com alguem
Quase sempre peço esmola
Mas quando a coisa tá braba
E a comida se acaba
Dano o pau a cheirar cola
Um dia eu fiquei com pena
Da coitada da Maria
A gente já bem lombrado
Ia amanhecendo o dia
Ouví um grito, um esparro
E aquele cara de carro
Com a coitada fugia
Aareceu com dois dias
Toda suja e machucada
Tinha a tristeza no olhar
A roupa toda rasgada
Depois ela me contou
Que o seu maior pavor
Foi quando foi estuprada
As vezes estou dormindo
sonho até com outra vida
sonho com cama macia
sonho com muita comida
sonho com meus irmãozinhos
com os cafunés e carinhos
que dava mamãe querida
As vezes estou dormindo
Dormindo em belo colchão
E minha mãe me embrulhando
Com cobertas de algodão
Acordo sobressaltado
Com o rosto todo molhado
Numa cama de papelão
Ai me bate uma tristeza
Sem querer fico chorando
Onde andará minha mãe
Eu fico me perguntando
E lembro de minha desgraça
Fui deixado numa praça
Desde então fico vagando
Eu faço as minhas travessuras
As vezes a gente apela
Olho todas as mulheres
Da mais feia a mais bela
Digo sem medo de errar
Se mamãe eu encontrar
Nunca mais eu largo dela
Zé da Legnas
De quando eu fui concebido
Sua vida era um mar de rosas
Seu jardim era florido
Eu não tava nos seus planos
Tu só tinhas doze anos
Nem se quer tinha marido
Você era bem disposta
Era bonita e sapeca
Tinha uma pele rosada
Linda como deusa asteca
Mais na sua ignorância
Jogou fora sua infância
Seus sonhos e sua boneca
Mãezinha você pensava
Que era dona da verdade
Não escutava seus pais
Com sua ternura e bondade
Não gostava de estuda
Gostava de namorar
Mesmo com tão pouca idade
Os seus pais lhe reclamavam
Seus professores também
Só escutava os colegas
Não ouvia mais ninguém
Não namorava ficava
Isso sim você gostava
Ai eu fiquei também
Eu fiquei naquele dia
Que tu não foste à escola
Ficou zanzando na praça
Quase sempre dando bola
E foi ficar no escuro
Foi ali detrás do muro
Que conheci à senhora
Quando foi um mês depois
Foi o maior aperreio
Seu mundo que era bonito
Você já achava feio
Falou com papai na hora
Ele falou caia fora
Mas eu já estava no meio
E o seu sorriso lindo
Aos poucos já foi murchando
Pra você o mundo parou
Aos poucos foi definhando
E até os seus amigos
Tu vias neles inimigos
De todos foi se afastando
Envergonhava-se de tudo
Em todos havia um defeito
Quando olhavam tua barriga
Tu já ficavas sem jeito
Não saia mais de casa
Seu pensamento tinha asa
Não dormia mais direito
Um dia chegou uma amiga
Resolveu te aconselhar
Você deixe de besteira
Isso se resolve já
E pra aliviar seu tédio
Você tomou o remédio
Que era pra eu matar
Eu quase que papocava
Mas resisti com firmeza
Não morri to aleijado
E você teve a certeza
Que não sou o seu castigo
E que ficando comigo
Serás ma fortaleza
Por isso minha Mãezinha
É pura minha gratidão
Mesmo que não tenha os pés
Não tenha os dedos na mão
Não tenha orelha ou nariz
É como o povo diz
O importante é o coração
E neste dia sublime
Eu pergunto por que chora
Poderia ser pior
Eu estaria morto agora
Nesta hora de emoção
Eu falo de coração
Que amo muito a senhora
A CRIANÇA E O FRACASSO ESCOLAR
A CRIANÇA E O FRACASSO ESCOLAR
Há um grito na garganta
Que teima em querer saltar
É a criança na escola
Que só vai pra merendar
Acabando com a esperança
Prejudicando a criança
Com o fracasso escolar
Começa com a família
Que está desestruturada
Em condições subumanas
Sem ter emprego e sem nada
Nem sequer tem moradia
Morando em periferia
Sofrendo e abandonada
Quando chega na escola
É baixo seu rendimento
Filhos de pais separados
E mesmo sem alimentos
Sem coragem pra estudar
O seu fracasso escolar
É acima dos dez por cento
Quando chega na escola
Encontra a classe lotada
Uma professora fria
Com uma cara fechada
Trabalha sem alegria
E sua luta do dia
Não vai render quase nada
Vamos ver o que está errado
Com o sistema de ensino
Que causa na educação
O transtorno, o desatino
Acabando com a esperança
Prejudicando a criança
E mudando seu destino
Pra criança e adolescente
É grande a dificuldade
Pois não aprenderam a ler
Desde a sua tenra idade
Vive sempre em agonia
E os erros de ortografia
Leva até a faculdade
Quando fala em matemática
É grande a deficiência
É uma matéria odiada
Pela nossa adolescência
Da forma que é ensinada
Garanto é inadequada
E traz pouca eficiência
A matemática e a escrita
Tem que ser eficiente
E deve ser ensinada
De uma forma diferente
De maneira decidida
Fazendo parte da vida
Da criança e adolescente
A educação infantil
Precisa ser despertada
A universalização
Precisa ser ampliada
E fazer parte dos planos
Por que do zero aos três anos
Já deve ser ensinada
Pra que as nossas crianças
Não caminhem no escuro
Precisa da educação
Sair desse grande apuro
Sem educação infantil
Pobrezinho do Brasil
É um país sem futuro
Há um grito na garganta
Que teima em querer saltar
É a criança na escola
Que só vai pra merendar
Acabando com a esperança
Prejudicando a criança
Com o fracasso escolar
Começa com a família
Que está desestruturada
Em condições subumanas
Sem ter emprego e sem nada
Nem sequer tem moradia
Morando em periferia
Sofrendo e abandonada
Quando chega na escola
É baixo seu rendimento
Filhos de pais separados
E mesmo sem alimentos
Sem coragem pra estudar
O seu fracasso escolar
É acima dos dez por cento
Quando chega na escola
Encontra a classe lotada
Uma professora fria
Com uma cara fechada
Trabalha sem alegria
E sua luta do dia
Não vai render quase nada
Vamos ver o que está errado
Com o sistema de ensino
Que causa na educação
O transtorno, o desatino
Acabando com a esperança
Prejudicando a criança
E mudando seu destino
Pra criança e adolescente
É grande a dificuldade
Pois não aprenderam a ler
Desde a sua tenra idade
Vive sempre em agonia
E os erros de ortografia
Leva até a faculdade
Quando fala em matemática
É grande a deficiência
É uma matéria odiada
Pela nossa adolescência
Da forma que é ensinada
Garanto é inadequada
E traz pouca eficiência
A matemática e a escrita
Tem que ser eficiente
E deve ser ensinada
De uma forma diferente
De maneira decidida
Fazendo parte da vida
Da criança e adolescente
A educação infantil
Precisa ser despertada
A universalização
Precisa ser ampliada
E fazer parte dos planos
Por que do zero aos três anos
Já deve ser ensinada
Pra que as nossas crianças
Não caminhem no escuro
Precisa da educação
Sair desse grande apuro
Sem educação infantil
Pobrezinho do Brasil
É um país sem futuro
Zé da Legnas
E vive sorrindo atoa
Quando vou lhe pedir algo
só sabe dizer perdoa
E sempre se desencanta
Mas tem almoço e tem janta
As vezes de mim caçõa
Você que tem sua mamãe
E nunca lhe deu valor
Veja uma criança de rua
Como eu um sofredor
Vivo chamando atenção
As vezes nem quero pão
Só um pouquinho de amor
Você cha que é fácil
Viver sempre abandonado
Chegando perto de alguem
Já me olham atravessado
E sem alguem faz a besteira
De roubar uma carteira
Me olham como culpado
Não ligo muito pra vida
Muito menos pra escola
Faço um descuido com alguem
Quase sempre peço esmola
Mas quando a coisa tá braba
E a comida se acaba
Dano o pau a cheirar cola
Um dia eu fiquei com pena
Da coitada da Maria
A gente já bem lombrado
Ia amanhecendo o dia
Ouví um grito, um esparro
E aquele cara de carro
Com a coitada fugia
Aareceu com dois dias
Toda suja e machucada
Tinha a tristeza no olhar
A roupa toda rasgada
Depois ela me contou
Que o seu maior pavor
Foi quando foi estuprada
As vezes estou dormindo
sonho até com outra vida
sonho com cama macia
sonho com muita comida
sonho com meus irmãozinhos
com os cafunés e carinhos
que dava mamãe querida
As vezes estou dormindo
Dormindo em belo colchão
E minha mãe me embrulhando
Com cobertas de algodão
Acordo sobressaltado
Com o rosto todo molhado
Numa cama de papelão
Ai me bate uma tristeza
Sem querer fico chorando
Onde andará minha mãe
Eu fico me perguntando
E lembro de minha desgraça
Fui deixado numa praça
Desde então fico vagando
Eu faço as minhas travessuras
As vezes a gente apela
Olho todas as mulheres
Da mais feia a mais bela
Digo sem medo de errar
Se mamãe eu encontrar
Nunca mais eu largo dela
A QUEM ROUBAR O BRASIL
Há mais de quinhentos anos,
Que meu Brasil é roubado.
Quase todas as nações,
Já lhe roubaram um bocado.
Terá ainda o que roubar?
Meu "cumpade" eu vou contar,
Oh! país rico danado!
Já roubaram nosso ouro,
Nossa prata e agora?
Estão roubando o que é nosso,
Obrigando-nos ir embora.
Deixando muita ferida,
Estão roubando nossa vida,
Nosso suor, nossa flora.
O modo de nos roubar,
Apenas mudou de nome.
O pobre planta a semente
A peste do rico come.
Para o pobre é só lamento,
Pois se lhe roubam o sustento,
Continua passando fome.
Depois de tanto sufoco,
O camponês explodiu.
Está ferindo o latifúndio,
Com o ferro que lhe feriu.
Provando ser forte e bravo,
Libertando o povo escravo,
E a exploração infantil.
O movimento Sem Terra,
Luta com tenacidade.
Para que o camponês,
Produza com quantidade.
Comida pra nossa mesa,
Só assim temos certeza,
Que teremos liberdade.
Defendemos uma reforma,
Agrária bem competente.
Onde todo camponês,
Possa plantar sua semente.
E colher sua comida,
Que tenha gosto de vida,
Não de sangue de gente.
E neste momento falo,
Nesta hora, neste dia.
Que a terra é do camponês,
E não é mercadoria.
Pois terra é pra produzir,
Respeitar e garantir,
E ter sua autonomia.
Para o nosso agricultor,
Que enfrenta calor e frio.
Tem seu sangue derramado,
Por que a burguesia feriu.
E todo sem terra diz:
“Pra transformar o país,
É um grande desafio”.
É um desafio com a infância,
Com o nosso Sem Terrinha.
Preparar bem as veredas,
Em que a criança caminha.
Pra que ande nos escuro,
E que garanta um futuro,
Melhor do que a gente tinha.
Precisamos que o jovem,
Tenha uma escola diferente.
Ensinar desde pequeno,
Proteger o meio ambiente.
Lutar contra a burguesia,
Que nos tira a garantia,
De uma vida decente.
E neste momento eu falo,
Pra este povo varonil.
De Norte a Sul, Leste a Oeste,
Foi a dor que nos uniu.
Nosso sangue é derramado,
Mas ai, ai, do desgraçado,
Que roubar nosso Brasil!
Zé da Legnas
Que meu Brasil é roubado.
Quase todas as nações,
Já lhe roubaram um bocado.
Terá ainda o que roubar?
Meu "cumpade" eu vou contar,
Oh! país rico danado!
Já roubaram nosso ouro,
Nossa prata e agora?
Estão roubando o que é nosso,
Obrigando-nos ir embora.
Deixando muita ferida,
Estão roubando nossa vida,
Nosso suor, nossa flora.
O modo de nos roubar,
Apenas mudou de nome.
O pobre planta a semente
A peste do rico come.
Para o pobre é só lamento,
Pois se lhe roubam o sustento,
Continua passando fome.
Depois de tanto sufoco,
O camponês explodiu.
Está ferindo o latifúndio,
Com o ferro que lhe feriu.
Provando ser forte e bravo,
Libertando o povo escravo,
E a exploração infantil.
O movimento Sem Terra,
Luta com tenacidade.
Para que o camponês,
Produza com quantidade.
Comida pra nossa mesa,
Só assim temos certeza,
Que teremos liberdade.
Defendemos uma reforma,
Agrária bem competente.
Onde todo camponês,
Possa plantar sua semente.
E colher sua comida,
Que tenha gosto de vida,
Não de sangue de gente.
E neste momento falo,
Nesta hora, neste dia.
Que a terra é do camponês,
E não é mercadoria.
Pois terra é pra produzir,
Respeitar e garantir,
E ter sua autonomia.
Para o nosso agricultor,
Que enfrenta calor e frio.
Tem seu sangue derramado,
Por que a burguesia feriu.
E todo sem terra diz:
“Pra transformar o país,
É um grande desafio”.
É um desafio com a infância,
Com o nosso Sem Terrinha.
Preparar bem as veredas,
Em que a criança caminha.
Pra que ande nos escuro,
E que garanta um futuro,
Melhor do que a gente tinha.
Precisamos que o jovem,
Tenha uma escola diferente.
Ensinar desde pequeno,
Proteger o meio ambiente.
Lutar contra a burguesia,
Que nos tira a garantia,
De uma vida decente.
E neste momento eu falo,
Pra este povo varonil.
De Norte a Sul, Leste a Oeste,
Foi a dor que nos uniu.
Nosso sangue é derramado,
Mas ai, ai, do desgraçado,
Que roubar nosso Brasil!
Zé da Legnas
Essa e outras poesias do autor
Você encontra no Recanto das Letras
MUITAS CARAS
Muitas caras, muitas cores,
uma mistura de valores,
Como nunca já se viu.
Nossa arma não emperra,
Quando salvamos a Terra
Deste querido Brasil
A nossa luta é diaria
Por uma reforma agrária
Por justiça e não por guerra
Todo este povo presente
Colorido e diferente
Somos chamados sem terra
Nós somos bem diferente
Porque defendemos gente
Nosso lar é agricultura
Contra o latifundiário
Faz o povo de otário
Com a sua monocultura
Nós não comemos salada
De eucalípto a burguesada
Com grama na sobremesa
Comemos feijão com arroz
Feito um bom baião de dois
Do campo pra nossa mesa
Não ter discriminação
Ter pela terra a paixão
É o segredo do sucesso
E vai ficar na história
Como o grito da vitória
Em nosso V Congresso
Portanto companheirada
Com sem Terra na parada
Latifúndio não tem vez
Vamos lutar e vencer
Produzir para crescer
Sem dar lugar pra burguês
O Sem Terra tem lutado
pra ter um campo educado
Quer que o camponês estude
Pra conquistar o respeito
Acredita no direito
Na Educação e Saúde
O Sem Terra se preocupa
Quando uma terra ele ocupa
Com o futuro e a esperança
Ele não sai de sua trilha
Protegendo sua família
Principalmente a criança
Com o jovem camponês
Eu vou dizer pra vocês
Existe preocupação
A luta aqui não encerra
Pra nosso jovem Sem Terra
A Saída é a educação
Forma-lo em pedagogia,
Medicina, agronomia,
Direito e outros cursos mais
Pois o jovem preparado
Pode mudar seu estado
E contribuir com seus pais
Somos um povo sofrido
Da burguesia esquecido
Que dá seu grito de guerra
Pra desespero burguesa
Com toda sua riqueza
Não comprará um SEM TERRA
Homenagem declamada pelo autor no
uma mistura de valores,
Como nunca já se viu.
Nossa arma não emperra,
Quando salvamos a Terra
Deste querido Brasil
A nossa luta é diaria
Por uma reforma agrária
Por justiça e não por guerra
Todo este povo presente
Colorido e diferente
Somos chamados sem terra
Nós somos bem diferente
Porque defendemos gente
Nosso lar é agricultura
Contra o latifundiário
Faz o povo de otário
Com a sua monocultura
Nós não comemos salada
De eucalípto a burguesada
Com grama na sobremesa
Comemos feijão com arroz
Feito um bom baião de dois
Do campo pra nossa mesa
Não ter discriminação
Ter pela terra a paixão
É o segredo do sucesso
E vai ficar na história
Como o grito da vitória
Em nosso V Congresso
Portanto companheirada
Com sem Terra na parada
Latifúndio não tem vez
Vamos lutar e vencer
Produzir para crescer
Sem dar lugar pra burguês
O Sem Terra tem lutado
pra ter um campo educado
Quer que o camponês estude
Pra conquistar o respeito
Acredita no direito
Na Educação e Saúde
O Sem Terra se preocupa
Quando uma terra ele ocupa
Com o futuro e a esperança
Ele não sai de sua trilha
Protegendo sua família
Principalmente a criança
Com o jovem camponês
Eu vou dizer pra vocês
Existe preocupação
A luta aqui não encerra
Pra nosso jovem Sem Terra
A Saída é a educação
Forma-lo em pedagogia,
Medicina, agronomia,
Direito e outros cursos mais
Pois o jovem preparado
Pode mudar seu estado
E contribuir com seus pais
Somos um povo sofrido
Da burguesia esquecido
Que dá seu grito de guerra
Pra desespero burguesa
Com toda sua riqueza
Não comprará um SEM TERRA
Homenagem declamada pelo autor no
V Congresso Nacional dos Trabalhadores
Rurais Sem Terra, em Brasília.
Zé da Legnas
Publicado no Recanto das Letras
A SINA DO CHICO BENTO
Autor: Zé da Legnas
Meu compadre Chico Bento
Um cabra desconfiado
Casou c’a cabocla nova
A mais linda do Serrado
E sempre como olho aberto
Lhe vigiava de perto
Para não ser carneado
Seu nome era Marieta
Alegre e muito bonita
Era uma morena formosa
Como era linda a cabrita!
Foram morar numa casa
Ali perto da Ceasa
Vizinho ao Toim da Rita
Com dois anos de casado
Chico Bento era cabreiro
O seu salário era pouco
Lutando de carreteiro
Marieta lhe evitava
Quase todo dia estava
Com os bolsos cheios de dinheiro
Resolveu fazer um teste
Para apagar sua chama
E saber se Marieta
Tinha lhe posto na lama
De leite encheu uma vasilha
Preparando uma armadilha
Colocando sobre a cama
Segundo o Toim da Rita
Ponha no leite uma colher
Se alguém deitar na cama
Junto com sua mulher
Ficava tudo provado
Na colher era marcado
Na hora do funaré
Assim Chico Bento fez
Para testar sua galega
Saber se era traído
Por sua paixão sua nega
Foi olhar o resultado
Foi tão grande o resultado
Que o leite virou manteiga
Chico Bento foi embora
Saiu sem olhar pra traz
Jurando que em sua vida
Não se apaixonaria mais
Mudou-se para o sertão
Para esquecer a traição
E ter um pouco de paz
Mas o tempo foi passando
Homem só, só leva peia.
Não quis mais mulher bonita
Pra não trabalhar de meia
Arranjou uma negrinha
Preta, torta e bem baixinha,
Que assustava de tão feia
Tinha um mancado na perna
A feiosa era banguela
Tão magra que dava dó
Mais parecia uma sovela
Além do mais era imundo
A negrinha tinha a bunda
Emendada na costela
Fui morar com aquela coisa
Mesmo assim não tive sorte
Um dia chegou mais cedo
Para assistir o esporte
Foi entrando de surpresa
O que viu teve certeza
Que seu remédio era a morte
Encontrou ela com outro
Da vida perdeu a fé
Foi falando, meu amigo,
O que viu nesta mulher?
O rapaz lhe respondeu
O que mais agradou eu
Foi o mancado do pé
E tu feiosa cretina
Seu diabo fora de prumo
Por que tu fizeste isso
Da vida perdeu o rumo?
Feiosa falou “se toca”
Isso que fiz foi em troca
De uma brejeira de fumo.
Meu compadre Chico Bento
Um cabra desconfiado
Casou c’a cabocla nova
A mais linda do Serrado
E sempre como olho aberto
Lhe vigiava de perto
Para não ser carneado
Seu nome era Marieta
Alegre e muito bonita
Era uma morena formosa
Como era linda a cabrita!
Foram morar numa casa
Ali perto da Ceasa
Vizinho ao Toim da Rita
Com dois anos de casado
Chico Bento era cabreiro
O seu salário era pouco
Lutando de carreteiro
Marieta lhe evitava
Quase todo dia estava
Com os bolsos cheios de dinheiro
Resolveu fazer um teste
Para apagar sua chama
E saber se Marieta
Tinha lhe posto na lama
De leite encheu uma vasilha
Preparando uma armadilha
Colocando sobre a cama
Segundo o Toim da Rita
Ponha no leite uma colher
Se alguém deitar na cama
Junto com sua mulher
Ficava tudo provado
Na colher era marcado
Na hora do funaré
Assim Chico Bento fez
Para testar sua galega
Saber se era traído
Por sua paixão sua nega
Foi olhar o resultado
Foi tão grande o resultado
Que o leite virou manteiga
Chico Bento foi embora
Saiu sem olhar pra traz
Jurando que em sua vida
Não se apaixonaria mais
Mudou-se para o sertão
Para esquecer a traição
E ter um pouco de paz
Mas o tempo foi passando
Homem só, só leva peia.
Não quis mais mulher bonita
Pra não trabalhar de meia
Arranjou uma negrinha
Preta, torta e bem baixinha,
Que assustava de tão feia
Tinha um mancado na perna
A feiosa era banguela
Tão magra que dava dó
Mais parecia uma sovela
Além do mais era imundo
A negrinha tinha a bunda
Emendada na costela
Fui morar com aquela coisa
Mesmo assim não tive sorte
Um dia chegou mais cedo
Para assistir o esporte
Foi entrando de surpresa
O que viu teve certeza
Que seu remédio era a morte
Encontrou ela com outro
Da vida perdeu a fé
Foi falando, meu amigo,
O que viu nesta mulher?
O rapaz lhe respondeu
O que mais agradou eu
Foi o mancado do pé
E tu feiosa cretina
Seu diabo fora de prumo
Por que tu fizeste isso
Da vida perdeu o rumo?
Feiosa falou “se toca”
Isso que fiz foi em troca
De uma brejeira de fumo.
Zé da Legnas
Publicado no Recanto das Letras
