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segunda-feira, 8 de abril de 2019

Mais de 30 pessoas serão denunciadas pela tragédia em Milagres

A ação policial contra um assalto a banco resultou na execução de 14 pessoas. Seis eram reféns, sendo dois adolescentes
Marcas de bala ficaram espalhadas pela cidade após a tragédia (Foto: FABIO LIMA)

Mais de 30 pessoas serão responsabilizadas pelos fatos que deram na tragédia de Milagres, no Cariri cearense. O caso, uma tentativa de assalto ao Bradesco e ao Banco do Brasil (BB) ocorrida na madrugada de 7 de dezembro do ano passado, terminou com 14 mortes - entre as vítimas, seis reféns. Gente inocente que teve o caminho interceptado por assaltantes e acabou sendo levada para a linha de tiro da polícia.

Por enquanto, nove assaltantes sobreviventes foram denunciados pelo de Grupo de Atuação de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do Ministério Público do Ceará (MPCE). Já estaria também na Vara de Delitos de Organizações Criminosas a denúncia do MPCE contra, pelo menos, quatro policiais que atiraram e teriam matado os oito bandidos e os seis reféns.

Promotores de Justiça negam que a denúncia esteja concluída, mas a perícia nas armas recolhidas dos policiais do Grupo de Ação Tática Especiais da (Gate) da PM atestariam que os tiros que mataram os reféns teriam partido de fuzis ou de pistolas usadas pelas forças de segurança do Ceará.

Os laudos da Perícia Forense do Ceará (Pefoce) informariam ainda que os projéteis das armas usadas pelos assaltantes - espingardas e revólveres - seriam incompatíveis com as balas deflagradas contra os seis inocentes.

A pedido de um delegado que investiga o caso, a Pefoce realizou exames periciais de "eficiência e comparação balística" com os projéteis retirado dos corpos das vítimas. Em um dos lotes, foram enviadas uma pistola PT 100, calibre 40, acompanhada de dois carregadores; uma pistola calibre 380 com um pente de munição e uma pistola israelense, calibre 9mm, sem carregador. As três armas foram recolhidas das mãos dos policiais.

Além dos atiradores do Gate, outros militares também serão responsabilizados. O POVO apurou que os coordenadores da ação desastrosa, que não deram a ordem para abortar a operação quando se percebeu a presença de reféns, serão processados. Um major e um coronel já teriam sido indiciados pelos delegados da Polícia Civil e serão denunciados pelos promotores do Gaeco. Mais de 12 PMs, do Gate e do Comando Tático Rural (Cotar), responderão por algum ato que contribuiu para a morte dos reféns.

Na individualização das condutas dos PMs, há militar que responderá por uma ou mais mortes de reféns e pela destruição das imagens das câmeras de segurança existentes no entorno do Bradesco e Banco do Brasil da cidade. Logo após o tiroteio há relatos de testemunhas sobre a abordagem de PMs que buscavam os registros captados durante a ação do Gate.

Os depoimentos se juntaram à perícia feita em equipamentos de monitoramentos de comércios localizados na área onde estão as agências bancárias. Em um ofício, um delegado pediu que o Núcleo de Perícia Criminal de Juazeiro do Norte analisasse um aparelho DVR do Supermercado Burundanga, empresa sediada vizinho ao Banco do Brasil.

O delegado também pediu perícia nas imagens geradas pelas câmeras externas existentes no prédio da Delegacia Municipal. O investigador solicitou que o Departamento de Informática da Polícia

Civil analisasse as imagens gravadas de zero hora às 4 horas da manhã do dia 7 de dezembro do ano passado. Data da matança.

Além dos PMs, autoridades civis de Milagres também teriam sido indiciadas no inquérito aberto na Delegacia de Brejo Santo para a apurar a tragédia. Personagens que teriam se omitido para evitar a operação desastrosa ou quem alterou a cena do crime.

Entre os crimes elencados no indiciamento estão homicídios dolosos, destruição de provas, execuções posteriores à matança dos reféns, falsidade ideológica, latrocínio e até ameaça contra testemunhas e a policiais que investigavam o caso.




Indiciamento por queima de arquivo


O POVO apurou que alguns policias militares também serão processados por suposta queima de arquivo no caso de Milagres. As investigações, baseadas nos depoimentos de testemunhas e na análise dos relatórios de GPS de algumas viaturas da PM, apontariam para eliminação de pelo menos dois assaltantes. Mesmo rendidos e desarmados, os dois criminosos foram executados.

No reconhecimento por fotografias, testemunhas confirmaram para investigadores da Polícia Civil que os criminosos Lucas Torquato Loiola Reis e Rivaldo Azevedo Santos eram os mesmos homens que se esconderam em uma casa na localidade de Sítio Campo Agrícola, em Milagres.

De acordo com testemunhas, por volta das 5h10min, do dia 7 de dezembro do ano passado, os dois aparecerem no sítio e, apreensivos, pediram para usar um telefone. Eles contaram para os moradores que teriam acabado de ser assaltados.

Em determinado momento, de acordo com os depoimentos, os dois homens correram em direção a uma casa ao avistarem a chegada de viaturas do Comando Tático Rural e da Delegacia de Milagres.

Ao chegar, os policiais entraram na casa onde os fugitivos se esconderam. O dono da residência também entrou para retirar uma filha que dormia no quarto. Hora em que viu, junto com os PMs, que um dos foragidos fazia de conta que estava dormindo, enrolado em um lençol, e o outro estava embaixo da cama.

Em seguida, contou a testemunha que rapidamente deixou a casa, foram ouvidos disparos e os policiais saíram com os dois homens mortos. Como nada foi dito para o homem do sítio, ele acabou lavando o quarto que ficou tomado por sangue. E, no mesmo dia, se mudou com a família para outra localidade.

(Demitri Túlio e Lucas Barbosa)

O Povo

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