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terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Moro: PF não protegerá ninguém no caso das candidaturas laranjas

A investigação sobre o uso de candidatas laranjas nas últimas eleições ainda está no radar do Governo Bolsonaro. Ontem, o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, acusado de envolvimento em um caso registrado em Minas Gerais, negou deixar o cargo.

Já o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, disse, nesta segunda-feira, que orientou a Polícia Federal (PF) a “não proteger ninguém” na investigação sobre supostas irregularidades no PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro. 

Moro afirmou que, antes de assumir o cargo, combinou com o presidente que “ninguém seria poupado” se aparecessem denúncias. “Quando fui convidado (por Bolsonaro para ser ministro), o que conversamos? Ninguém seria poupado. Essa é minha posição e do senhor presidente, que ninguém seria poupado se surgissem casos de crimes no âmbito do Governo. Isso seria apurado, e nós não iríamos proteger ninguém. E essa é a orientação que tem sido passada para a PF e demais órgãos de investigação”.

Questionado se há algum desconforto em fazer parte de um Governo cuja sigla pode ter utilizado candidaturas para desviar recursos do fundo eleitoral, Moro respondeu que todas as denúncias “têm que ser devidamente apuradas”. “Órgãos de investigação têm independência. O próprio presidente solicitou que esses episódios fossem devidamente apurados. O trabalho que tem que ser feito em relação a esse fato está sendo feito”, garantiu Moro.

Reportagem do jornal Folha de S.Paulo revelou, em 4 de fevereiro, que o ministro do Turismo, deputado federal mais votado em Minas Gerais, patrocinou um esquema de quatro candidaturas de laranjas, todas abastecidas com verba pública do PSL. 

O caso é investigado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público em Minas. O ministro era presidente do PSL em Minas e tinha o poder de decidir quais candidaturas seriam lançadas. As quatro candidatas receberam R$ 279 mil da verba pública de campanha da legenda, ficando entre as 20 candidatas que mais receberam dinheiro do partido no País inteiro.

Desse montante, pelo menos R$ 85 mil foram destinados a quatro empresas que são de assessores, parentes ou sócios de assessores do hoje ministro de Bolsonaro.
Não há sinais de que as candidatas tenham feito campanha efetiva durante a eleição. Ao fim, juntas, somaram apenas cerca de 2 mil votos, apesar do montante recebido para a campanha.

Foro privilegiado

Na quinta passada (21), o ministro do Turismo recorreu ao foro especial e pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a investigação sobre candidatas laranjas do PSL aberta em Minas Gerais passe a tramitar perante a Corte. O ministro é alvo direto da apuração da Promotoria mineira. Ele afirmou que seu pedido ao STF para interromper uma investigação contra ele foi uma estratégia de seus advogados.

Na sexta, a Folha de S.Paulo mostrou que o Ministério Público em Minas Gerais investiga a atuação da empresa do atual assessor especial de Álvaro Antônio, Mateus Von Rondon. Aberta em 2013, uma empresa de serviços de internet e marketing direto teve Álvaro Antônio como principal cliente até 2018 por meio de verba da Câmara dos Deputados.

A mesma empresa aparece na prestação eleitoral de contas de quatro candidatas a deputada estadual e federal usadas como laranjas pelo PSL de Minas, partido comandado à época pelo ministro, então deputado e candidato à reeleição. O escândalo dos laranjas do PSL levou à queda de Gustavo Bebianno do cargo de ministro da Secretaria-Geral da Presidência no último dia 18. Integrantes do PSL têm defendido a mesma medida para o ministro do Turismo. 

Irregularidade negada

O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, afirmou, ontem, em entrevista a um canal de TV, que não houve ilegalidades na construção das campanhas do PSL em Minas. “Todos os candidatos e candidatas foram candidatos de forma espontânea, ninguém foi plantado para ser candidato ou candidata”.

Confiança no processo

Para o ministro do Turismo, o resultado da investigação vai provar sua inocência. “Estou absolutamente tranquilo em relação a isso. O tempo e o processo vão mostrar que nós agimos estritamente dentro da lei”, afirmou o ministro.

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