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quarta-feira, 18 de abril de 2018

Nem sempre os aportes decorrem das chuvas locais

Iguatu. Os aportes seguidos registrados nos açudes do Ceará decorrem das chuvas observadas nas bacias hidrográficas dos reservatórios ao longo deste mês. Desde o início de abril há registro de pluviometria elevada nas regiões do Cariri (Sul do Ceará) e Norte, favorecendo o aumento do volume de importantes barragens como o Castanhão (Alto Santo), Araras (Varjota), Itaúna (Granja), Orós (Orós) e Colina (Quiterianópolis). Outros 20 açudes estão sangrando.

Este mês de abril tem sido favorável para o aumento do volume dos açudes. "Decorre das chuvas contínuas que vêm ocorrendo no Ceará, com cheia de riachos e de alguns rios, como Salgado, Jaguaribe, Poti, Coreaú", observa o secretário Executivo da Secretaria de Recursos Hídricos, Aderilo Alcântara.

 Águas chegam com mais força ao Sertão Central

"O Castanhão é um exemplo claro, pois as intensas chuvas desde o início do mês mantém a cheia do Rio Salgado, que é afluente do Rio Jaguaribe, fazendo com que o reservatório, que está distante, no Médio Jaguaribe, tenta tido o maior aporte até o momento", acrescentou.

Castanhão

O aumento do nível do Castanhão, o maior do Ceará, e em outros açudes, nos últimos 15 dias, tem sido motivo de comemoração entre moradores e produtores rurais por assegurar o abastecimento de cidades e localidades rurais. "Para que o volume dos açudes continue aumentando é necessário ocorrer chuvas nas regiões onde estão localizados os afluentes dos rios que desaguam nos reservatórios", observa o meteorologista da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), Raul Fritz.

As chuvas verificadas no Cariri, por exemplo, favorecem o aumento do volume de água do Castanhão, que recebe água diretamente do Rio Jaguaribe, mas decorrem do Rio Salgado, que é afluente do Jaguaribe, após a cidade de Icó, no Centro-Sul do Ceará. São 23 municípios que compõem a Bacia Hidrográfica do Rio Salgado, no Sul do Ceará.

No começo deste mês ocorreram chuvas intensas no Cariri, com registro superior a 100 mm em nove municípios. Esse quadro se manteve até a primeira metade de abril. "As águas chegaram ao Rio Salgado, que permanece cheio", frisou Alcântara. "O aumento do volume do Castanhão não é por causa de precipitações no Médio Jaguaribe, mas no Cariri".

O Castanhão está localizado na Bacia do Médio Jaguaribe, em Alto Santo, mas o aporte decorre das chuvas no Cariri - distante mais de 200Km - Penaforte, Crato, Mauriti, Missão Velha, Ipaumirim, Cedro, Várzea Alegre, Aurora, Lavras da Mangabeira são exemplos de municípios que despejam suas águas das chuvas em riachos e rios e desaguam no Salgado. "Por isso, é importante o registro de chuva nas bacias hidrográficas, nos afluentes do rio principal", observou Raul Fritz.

Há casos de chuvas na própria região que favorecem a ocorrência de cheias em açudes, como a Barragem do Batalhão, em Crateús, de pequeno porte, que está transbordando, após precipitações, nos dias 9 e 12, acima de 100mm. O Rio Banabuiú, em Morada Nova, abaixo do açude de mesmo nome está cheio e, por isso, a Cogerh faz o bombeamento de parte da água para o Sistema de Abastecimento da Região Metropolitana de Fortaleza. "Foram fortes chuvas que ocorreram em Morada Nova e municípios vizinhos do Sertão Central", observa Alcântara.

As chuvas mais intensas ocorreram à jusante (abaixo) do Açude Banabuiú, o terceiro maior do Estado, que está com 3,55%, um volume ainda muito baixo, mas em comparação com o início do mês, houve uma recarga de quase 3%. O nível atual é o maior em três anos. "Diferentemente do Cariri, a bacia do reservatório ainda não foi beneficiada com intensas chuvas, por isso o aporte é reduzido, e decorre de chuvas mais localizadas na própria região onde está o Banabuiú", observou Alcântara.

Orós

O Orós, o segundo maior açude do Estado, continua obtendo aporte graças ao aumento do volume do Rio Jaguaribe, em Iguatu, que recebe água da Região dos Inhamuns (Saboeiro a Tauá) e do Cariús, afluente, que é beneficiado por chuvas em parte do Cariri (Nova Olinda, Assaré, Farias Brito, Tarrafas e do próprio município de Cariús).

Localizado no Alto Jaguaribe, o Orós é um açude estratégico para o abastecimento de várias cidades e localidades no Médio Jaguaribe. O reservatório, ontem, segundo a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) acumulava 8,81%. No início da atual quadra chuvosa estava com 5,80%.

A situação da Bacia Metropolitana é preocupante. Em abril do ano passado estava com 47,1% e agora está apenas com 19,6%. Apesar da proximidade do litoral, as chuvas não foram intensas em parte da região do Maciço de Baturité para a recarga dos reservatórios da região.

Os açudes que estão transbordando - Acaraú Mirim (Massapê), São Vicente (Santana do Acaraú), Angicos (Coreaú), Diamantino II (Marco) Tucunduba (Senador Sá), Itaúna (Granja), Várzea da Volta (Moraújo), Gameleira e Quandu (Itapipoca), nas bacias hidrográficas do Acaraú, Coreaú e Litoral - resultam de intensas e contínuas chuvas naquelas regiões. "Em Granja, por exemplo, choveu 173 mm, no dia 9, favorecendo a sangria do Itaúna", observou Alcântara.

Situações díspares

As chuvas localizadas fazem com que em um mesmo município ocorram situações díspares. Em Tauá, nos Inhamuns, os açudes Broco, Favelas e Forquilha II permanecem secos e o Várzea do Boi tem volume de apenas 6,9%, enquanto o Trici acumula 87,04%. "O Semiárido tem chuvas muito irregulares, por isso algumas áreas são mais beneficiadas do que outras", observou o coordenador do Dnocs, em Iguatu, Cléber Cavalcante.

Neste ano, quase não choveu em Acopiara, Mombaça, Catarina, e parte de Arneiroz e Jucás. "Por isso, não há recarga no Trussu, em Iguatu, e na barragem Rivaldo de Carvalho (4,20%), em Catarina", observou Cavalcante. Em Quixelô, por exemplo, a barragem do Faé, está seca. A barragem de Monte Belo, em Araripe, no Cariri, também permanece seca. Segundo a Funceme, no Município, neste mês, o déficit pluviométrico é de 27% e em março passado foi de 64%.

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