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terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Dez suspeitos estão presos um mês após a maior chacina do Ceará, com 14 mortos

Bando armado invadiu festa e atirou em várias pessoas, matando 14. Um dos suspeitos de ser mandante do crime foi preso em apartamento de luxo no Cocó, em Fortaleza.



Policiais apreenderam armas que foram utilizadas no crime, diz Secretaria da Segurança (Foto: TV Verdes Mares/Reprodução)

A rua de Fortaleza Madre Teresa de Calcutá, nome de cristã vencedora do prêmio Nobel da Paz, foi local da maior matança já registrada no Ceará. Um bando armado invadiu o clube Forró do Gago, no Bairro Cajazeiras, e atirou em quem via pela frente. Catorze pessoas morreram e pelo menos seis ficaram feridas. O local da chacina segue fechado após interdição da polícia.


O crime ocorreu às 0h30 de 27 de janeiro. Um mês depois, 10 pessoas estão presas e outras quatro foram identificadas, mas seguem foragidas. Um dos presos é suspeito de ser o mandante do crime; ele foi detido em um apartamento de luxo no Bairro Cocó. O segundo suspeito de ordenar a matança já estava preso.


O titular da Divisão de Homicídios, delegado Leonardo Barreto, confirmou que a chacina pode ter sido motivada por confronto entre grupos de criminosos organizados, como relataram testemunhas após o crime.

"Há uma suspeita muito forte de que foi disputa por território de duas facções. Agora maiores detalhes dessa motivação a gente vai apresentar numa fase 2 [continuidade das investigações], numa eventual fase 3 ou no relatório final."

Local da festa fechado

Dono da casa de show Forró do Gago chegou à delegacia com o rosto coberto (Foto: Josean Ramos/TV Verdes Mares)


O Forró do Gago, local onde ocorreu a maior chacina do Ceará, está sem funcionar desde a data do crime. O local já havia sido fechado em 2017 por realizar uma festa em "comemoração" à morte de um sargento da Polícia Militar.

Em depoimento, o proprietário do local afirmou que não é responsável pelos eventos, mas apenas aluga o espaço para organizadores de festa.

O local foi fechado por poluição sonora, após investigação do delegado Hélio Marques, do 13º Distrito Policial. Em depoimento ao delegado, o proprietário do Forró do Gago afirmou que pretende alugar o espaço para ser transformado em uma igreja.


Grupo armado invade festa e deixa mortos e feridos em Fortaleza. (Foto: Infográfico: Karina Almeida/G1)


Segundo testemunhas que não quiseram se identificar, membros da facção GDE (Guardiões do Estado) realizaram a chacina porque na festa estavam membros de uma facção rival. A Secretaria da Segurança do Ceará não confirma que a vítimas fossem membros de alguma organização criminosa.

Prisões e arsenal apreendido

Cinco foram presos dois dias após a chacina, no velório de uma das vítimas. Sete pessoas, algumas delas armadas, foram detidas em um cemitério; duas foram liberadas em seguida por não terem relação com a chacina e cinco foram mantidos presos como suspeitos.


O sexto suspeito foi preso com um fuzil utilizado na matança horas após a chacina de Cajazeiras.


Criminosos atiram em festa em Fortaleza. Local foi fechado pela polícia. (Foto: Gioras Xerez)

As outras quatro prisões ocorreram em 20 de fevereiro. O homem apontado como um dos mandantes do crime, conhecido como "De Deus", foi preso na casa onde mora, onde foi encontrada uma arma que a polícia diz ter sido usada na chacina.

"Na residência foi encontrada essa pistola, calibre 45, com 76 munições. É uma arma não muito comum aqui no Ceará, e foi uma arma utilizada no crime, na chacina", afirmou o secretário de Segurança do Ceará, André Costa, quando a prisão dele foi realizada.

Ele foi solto com a compra de habeas corpus em um esquema criminoso envolvendo desembargadores do Tribunal de Justiça do Ceará, que vendiam por até R$ 150 mil ordens de soltura.

Por G1 CE

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