quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Bandidos invadem fórum de Maranguape após juiz decidir que cadeia será exclusiva de uma facção

O fórum do município de Maranguape, a 27 km de Fortaleza, foi invadido na madrugada desta quinta-feira (18) por membros de uma facção criminosa. O local teve salas arrombadas e paredes pichadas.

O caso aconteceu um dia após o Sindicato dos Policiais Civis de Carreira do Estado do Ceará (Sinpol) receber denúncia de que a juíza da cidade teria expedido portaria que permite que a cadeia pública receba somente membros de uma facção específica.

Para Cláudio Justa, presidente do Conselho Penitenciário do Ceará, trata-se de ações terroristas e o Governo do Ceará precisa declarar estado de emergência.

Homens armados renderam o vigilante, roubaram as armas do local e, além disso, deixaram ameaças nas paredes, assinando com a sigla da facção criminosa, através de pichações. Francisco Lucas de Oliveira, presidente do Sinpol, foi informado por policiais de que a portaria determinava que a Cadeia Pública de Maranguape só receberia presos de uma facção e os outros ficariam na delegacia.

Na terça-feira, caso semelhante aconteceu na cidade de Senador Pompeu, cidade a 280 km de Fortaleza. Um grupo de criminosos conseguiu transferir um preso. O juiz, o delegado e o promotor da cidade foram ameaçados. Um dos suspeitos foi preso. O delegado William Lopes confirmou a prisão e disse que estão sendo feitas buscas para encontrar os outros bandidos envolvidos no crime.

“São ataques terroristas, de intimidação do Estado. Essas facções conhecem a vulnerabilidade do sistema público e penitenciário. Todos nós conhecemos essas deficiências, mas fazer um recuo a uma ação terrorista e intimidatória não é bom. Acompanhamos esses remanejos reativos forçados com preocupação. Cumprir ordens de facção se assemelha ao que acontece nas comunidades. Agora, determinar isso para o Estado? Não é a transferência em si, mas o efeito simbólico. Imagina a visão da comunidade… Eles agora estão mandando no juiz, no promotor, na segurança pública. Isso amplia simbolicamente o poder dessas facções”, avalia o presidente.

Cláudio Justa condena o ato de aceitar as exigências dos criminosos e alerta que o Governo do Estado precisa pensar ações estratégicas para conter essas ações.

“O Estado não pode fazer isso (aceitar exigências dos criminosos). Efetivamente, o Estado é mais potente do ponto de vista técnico e de aparato de força. Cabe uma estratégia melhor, bem pensada, mas o que não pode é recuar. Isso é um ato terrorista. Não dá para obedecer ordem de terroristas. Não se negocia e não se rende a ordem de terrorista. De imediato, penso que é fundamental duas providências: reforçar a segurança e não obedecer essas exigências. Se eles estão querendo que remaneje, não remaneja”, concluiu Cláudio Justa.

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