segunda-feira, 10 de julho de 2017

Mãe de assaltante desabafa após filho ser agredido por vítima: 'Nada justifica'

A mãe de um dos suspeitos de tentar roubar a carga de um caminhão e ser agredido pelas vítimas do assalto, em Praia Grande, no litoral de São Paulo, diz estar "revoltada" e preocupada com o filho, cujo o caso repercutiu nas redes sociais. Na delegacia, ela tentou fazer um boletim de ocorrência de lesão corporal, mas não conseguiu.

O caso ocorreu na quinta-feira (6). Erick Thadeu Pariz de Oliveira, de 23 anos, e Gregory Perciliano de Jesus, de 20, tentaram roubar com uma arma falsa um veículo no bairro Quietude. Não conseguiram, foram imobilizados, agredidos e desarmados pelas vítimas. Em seguida, acabaram presos pela Polícia Militar.

"Quando soube o que aconteceu, fui à delegacia ver meu filho. Cheguei lá e ele estava muito machucado. Ele foi espancado. Tentei registrar um boletim de ocorrência de lesão corporal. Nada justifica", disse a funcionária pública Iris Perciciliano, de 38 anos. Ela é mãe de Gregory, que já foi preso em 2014 por tráfico de drogas.

O delegado, responsável pela ocorrência, Alexandre Comin, informou que não faria o boletim, uma vez que as vítimas atuaram em legítima defesa e por terem sido ameaçadas por uma arma, que não sabiam que era falsa (simulacro). "Eu estou revoltada. Meu sentimento é de revolta, pois meu filho pode morrer por causa dos ferimentos".

Iris entende que Gregory cometeu um crime. "O que ele [o filho] fez não é certo, mas ele foi espancado. Isso não é legítima defesa mesmo. O ferimento no rosto do meu filho parece que quebrou algo, está muito feio. E o delegado ainda postou o caso na internet. Não é ético", desabafa. Por isso, ela quis representar contra as vítimas do crime do próprio filho e contra o delegado.

A esposa de Erick, Vanessa de Jesus Oliveira Silva, de 24 anos, disse também não concordar com a atitude do marido, nem com as agressões contra ele. "Depois que o delegado negou o boletim, as vítimas ficaram rindo da nossa cara. Eu me senti humilhada. Que violência é essa deles? Não vai a lugar nenhum", definiu.

Ela também alega que o delegado postou em uma rede social um comentário sobre o caso. O comentário repercutiu na internet. "As pessoas estão nos difamando e nos ofendendo. Isso não é certo. A gente quer tomar uma providência, pois fomos tratados como cachorro. É uma falta de respeito. Cadê os direitos humanos?".

Na manhã desta sexta-feira (7), os familiares foram até o Fórum de Praia Grande para acompanhar a audiência de custódia dos dois rapazes presos. No local, eles foram informados que a audição ocorreria no Fórum de Santos. Eles disseram que vão representar contra o delegado no Ministério Público Estadual.
O caso

Erick e Gregory tentaram roubar a carga de um caminhão na Rua Gastão de Souza Oliveira, segundo a Polícia Civil. Eles estavam armados. As vítimas conseguiram reagir, lutaram com os assaltantes e os imobilizaram até a chegada da Polícia Militar. O caso foi encaminhado à Delegacia Sede da cidade, onde os dois foram presos em flagrante.

O delegado Alexandre Comin, responsável pela ocorrência, reafirmou que atendeu os familiares da dupla, mas explicou a eles que não faria um boletim de ocorrência de lesão corporal em favor dos dois, pois as vítimas agiram em legítima defesa. "[As vítimas] estão respaldadas pela lei", afirmou. Sobre a postagem na rede social, ele não quis comentar.

O caso foi registrado como roubo a patrimônio e segue em investigação. Comin ainda disse que os suspeitos foram submetidos a atendimento médico e a exame no Instituto Médico Legal (IML) de Santos, que o liberaram para permanecer presos. Ambos foram encaminhados à Cadeia Pública.

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