quarta-feira, 5 de abril de 2017

Ataque químico na Síria gera indignação mundial

Khan Sheikhun. O suposto ataque químico que deixou ao menos 58 mortos na Síria gerou uma onda de indignação em todo mundo, com pedidos de Estados Unidos, ONU, Londres, Paris e Bruxelas para que sejam identificados os responsáveis.

No ataque ocorrido na cidade de Khan Sheikhun, outras 170 pessoas ficaram feridas, incluindo crianças. Pelo menos 11 menores de 18 anos morreram, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

O enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, disse ontem que a organização quer "identificar claramente as responsabilidades" e que os autores do ataque "prestem contas".

A oposição síria acusou o governo de ter utilizado "obuses com gás químico". Este "crime terrível" relembra um ataque cometido em 2013 próximo a Damasco, que a comunidade internacional "deixou impune".

Algumas horas depois, um ataque aéreo foi lançado contra o hospital onde eram tratadas as vítimas. O chefe negociador da oposição, Mohammed Sabra, disse que o ataque "com gás tóxico põe sob suspeita" o processo de paz, que tenta acabar com o conflito que já deixou mais de 320 mil mortos, além de milhões de deslocados e exilados.

Presidente suspeito

Os Estados Unidos responsabilizaram o presidente sírio, Bashar al Assad, pelo ataque e exigiram que Rússia e Irã ajudem a evitar a repetição do episódio.

"Enquanto continuamos avaliando esta situação terrível, agora está claro que esta é a forma como Bashar al Assad opera: com barbárie brutal e incontrolável", expressou, em Washington, o secretário Rex Tillerson.

Mais cedo, a Casa Branca já tinha condenado o ataque, qualificando-o de "intolerável". "O ataque químico na Síria contra pessoas inocentes, incluindo mulheres e crianças, é condenável", disse o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer.

O Exército sírio "negou categoricamente" estar por trás do ataque e destacou que "nunca as usou (armas químicas) em nenhum momento, em nenhum lugar e não as usará no futuro".

As acusações são uma "calúnia", disse um funcionário de alto escalão dos Serviços de Segurança sírios. "Trata-se de uma calúnia. Os homens armados tentam apontar uma vitória midiática depois de não terem conseguido em terreno", indicou, pedindo anonimato.

A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, também assinalou o governo sírio. "A notícia de hoje é terrível. Obviamente, a principal responsabilidade ali recai sobre o regime, porque tem a responsabilidade de proteger seu povo e não de atacá-lo", disse em um encontro com jornalistas.

A Organização para a Proibição de Armas Químicas (OIAC) disse estar "muito preocupada" com este "suposto ataque com armas químicas", afirmando que está tentando "reunir e analisar todas as informações de todas as fontes disponíveis".

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