segunda-feira, 3 de abril de 2017

Gonzaga Barbosa, em “A Crônica do Mês”: AOS OLHOS DE MORO, O CIÚME DA DONA DJANIRA

AOS OLHOS DE MORO, O CIÚME DA DONA DJANIRA

Pense numa mulherzinha ciumenta essa dona Dejanira! O velho não podia nem sair para tomar umas pingas com os amigos que ela já ficava trombuda. Igual a ela só a mulher do Genésio que ao chegar ao sítio para lhe deixar uma merenda e ver parte daquele chão molhado foi logo lhe perguntando:
-Genésio, quem foi que mijou ai?!
-Fui eu, querida.
Meio desconfiada a mulher foi até o local, pegou um pouquinho da areia molhada cheirou, cheirou e, olhando pra o Genésio, gritou:
- Isso aqui num é mijo de homem não! - (pense numa figura)
E voltando à mulher do seu Joaquim; pois num é que ela lhe pegou atentamente ouvindo música num desses radinhos de pilhas bem antigo, e logo lhe pressionou:
-Joaquim, homem de Deus, tu tá pensando em quem?!
-Oras essa mulher, que diabo é isso, hoje sou proibido até de pensar?! Já não basta eu ser proibido de matar o “bicho” com os amigos?
-Num é isso não, Joaquim! é que de uns dias para cá você anda meio sem jeito, acabrunhado, bem diferente de antes, e quando você se comporta dessa maneira tem boi na linha, (digo vaca). Vai, me diz logo qual a mulher que tu tá pensando! Agora inventou até de ficar cutucando o diabo desse celular. Parece um abirobado, todo mundo conversando e tu dando dedada nesse bicho. Ou coisa feia um vei roendo!
- E uma veia psicopata! Essa cobra d’água tá ficando é doida, eu tô pensando em ninguém! Será que num posso nem dá uma olhadinha no Boga do Légnas?!
– Diabo ignorante, sabe nem chamar! é blog do Légnas.
- Mulher, tu num sabe que estamos num momento de transição política. E a gente tem que ficar atenado. Ou tu pensas que a coisa publica também num é nossa?! Temos que ficar de olho no novo administrador; se nós tivéssemos vigiado o outro, a nossa Pentecoste não estava desmantelada desse jeito...
-Homem, tu num me engana mais não! Agora vem tu com esse papo de esquerdista derrotada, feito um Danúbio da vida, querer me convencer que está preocupado com a administração pública. Tu anda é atrás também de tirar umas vantagenzinha, isso sim!
– Mulher, agora você foi longe demais! Onde tu já viu euzinho aqui negociando com político?... até hoje só votei por convicção, só que nessas últimas eleições a minha convicção andou falhando e tive uma grande decepção, quando soube que o meu vereador tentou cadastrar finados na justiça eleitoral! (pois num é que o malandro queria botar morto pra votar). No tocante ao executivo, talvez um dia eu possa até perdoá-la por não se configurar crime eleitoral plantar carnaúbas em praça pública e bananeira no asfalto. Num tô dizendo mesmo! Só o que faltava agora, um Sergio Moro dentro da minha própria casa! Já pensou uma porra dessa além de não me deixar sossegado, ainda fica se metendo nas conversas das autoridades. Será que esqueceu que eu sou um homem integro e não me envolvo em esquema de propina. Logo eu o presidente da Associação dos Moradores de Um pra mim, Um pra tu e Um pra eu!
– Lembro, ora se não lembro!... Lembro até quando tu marcavas as reuniões com os associados. Vinha todo mundo e lá tu nem pisava. Mandava o coitado do
Manuel, mentir dizer que tu tava pra Fortaleza atrás de projeto, e na verdade tava era morto de bêbado no bar do tesoureiro, outro ladrão!
Ah língua ferina! Ainda bem que não fiz a besteira que o corno velho do pai dela queria, que era registrá-la na minha chapa como tesoureira. Se eu tivesse botado, tava era lascado. E assim como o Luis Inácio, lá estava eu também na mira do Sergio Moro. Porque eu nunca vi na minha vida uma peste pra gostar tanto de bater com a língua nos dentes como essa mulher. Eu falo assim, mas em comparação às falcatruas da Universal a minha associação passa é longe do confisco. E até confesso, sem nenhum constrangimento, que se eu soubesse que a Lava Jato um dia passaria por aqui, eu teria atendido ao pedido do meu sogro...

Gonzaga Barbosa, em “A Crônica do Mês”

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Um comentário :

  1. A crônica atenta para mulheres que não se contentam com as fugidinhas de seus companheiros. Logo reclama de tudo, provocando e tirando o sossego de seus maridos. É nítida, que as companheiras muitas vezes falam de possíveis falcatruas a fim de dizer que, ou ele faz o que eu quero, ou delatarei suas incoerências a sociedade em que vive. O certo é que nesta crônica as mulheres faz valer a máxima de que "Os fins justificam os meios", como é visto nos meios empregados por nossos políticos corruptos, para assaltar os valores éticos e morais da nossa sociedade.

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