terça-feira, 6 de setembro de 2016

Laboratório para clonagem de veículos é desarticulado no Eusébio


O laboratório de adulteração de veículos de uma das maiores quadrilhas que agia no Ceará foi desarticulado durante operação da Delegacia de Roubos Furtos de Veículos e Cargas (DRFVC). Segundo a Polícia, o bando tinha integrantes no Ceará, Pará, Rio Grande do Norte e São Paulo. Além disto, enviava carros 'clonados' para fora do País, a exemplo de uma Land Rover Evoque, que foi mandada para o Paraguai em troca de armas e drogas.
De acordo com o delegado Fernando Cavalcante, a ofensiva da DRFVC foi um desdobramento de uma ação do 30ºDP (São Cristóvão), que terminou com sete pessoas presas e vasto armamento apreendido. Na oitiva dos presos, a Polícia descobriu que eles iriam resgatar Francisco Rafael Alves da Silva, o 'Rafael Xilito', da Penitenciária Francisco Hélio Viana de Araújo, em Pacatuba. Ele seria o chefe da organização criminosa que adultera veículos.
A ação da DRFVC ocorreu, na última sexta-feira (2), em um sítio, na localidade de Coité, no Eusébio. O caseiro, Francisco Clemilton da Rocha Bernardino, foi preso. Segundo as investigações, ele cuidava da propriedade de um belga e teria alugado o imóvel aos criminosos sem saber o que aconteceria no local.
"Ele disse que no começo não sabia, mas depois começou a ver a documentação, as pessoas mexendo nos chassis dos carros e desconfiou. Foi então que Bruna disse que pagaria por seu silencio. Quando tomou conhecimento que havia uma quadrilha atuando no sítio, ele deveria ter chamado a Polícia, mas preferiu receber sua fatia do bolo", afirmou Fernando Cavalcante. A Bruna a quem o delegado se refere é Bruna Rodrigues Batista, que seria uma espécie de 'secretária' de 'Rafael Xilito'. "Ela resolve tudo fora do presídio. Alugou o sítio, levava os carros para lá, recebe carros de bandidos, faz pagamentos, viaja para outros Estados para receber documentos", revelou o delegado.
No sítio foi encontrado também o RG de Rodrigo Morais Silva, que foi reconhecido no roubo de um Corolla e de uma Spin que estava no local. No momento da chegada da Polícia ele conseguiu fugir. "Ele já tinha sido filmado pela câmera de um shopping, quando foi pegar um carro roubado. Deixou o veículo lá por uns dias, porque se tivesse rastreador a Polícia iria encontrar. Depois foi buscar e levou para a adulteração", explicou.
O dono do material achado no sítio também está sendo procurado. Ele utiliza um ácido para remarcar os veículos, que custa até R$ 4 mil um frasco com cerca de 100ml. A técnica é considerada sofisticada. "É um dos maiores adulteradores que tem aqui. Trabalha melhor ainda que o Roberto, que foi quem adulterou a Evoque". Roberto Barbosa Diniz, o 'Pastel' foi preso na operação do 30ºDP.
O delegado disse que ainda não pode precisar quantos integrantes o bando tem, por conta das diversas ramificações. "O 'Xilito' tem o pessoal comandado por ele, mas também recebe veículos de quadrilhas menores. Ele movimenta muita gente. Por isto, sugerimos à Justiça que seja encaminhado a um Regime Disciplinar Diferenciado (RDD). Mesmo preso ele comanda um esquema criminoso grande". Todo o material utilizado para modificar os dados originais dos veículos foram apreendidos. Os quatro veículos que estavam no local - uma Hilux, um Gol, uma Spin e uma EcoSport - todos tomados de assalto no fim do mês de agosto, foram levados para a DRFVC.
Documentos
Fernando Cavalcante disse que os documentos que eram preenchidos com os dados dos carros clonados aqui no Ceará vinham de São Paulo e do Rio Grande do Norte, em malotes transportados por empresas aéreas. As pessoas que enviavam esse material e os receptadores dos veículos no Paraguai ainda não foram identificados.
"A Evoque não foi o primeiro carro que foi para o Paraguai. Eles já tinham mandado muitos outros. Temos notícia de uma Pajero, que já estava a caminho, mas capotou e não pôde ser entregue. Lá eles trocavam o veículo por armas e drogas. Apreendemos quatro carros no sítio e todos já estavam com as placas clonadas e os documentos prontos, como se fossem de Brasília. Era uma quadrilha extremamente bem organizada. Eles têm grupos divididos para desempenhar cada função. Quando um veículo era roubado rapidamente eles conseguiam clonar, porque cada pessoa trabalhava em um serviço específico", disse Cavalcante.
Além disto, a Polícia suspeita que a quadrilha de 'Xilito' tenha arrombado uma fábrica de placas em Caucaia e furtado as prensas do local. "Eles levaram o material avaliado em R$ 120 mil há cerca de dois meses".
Via: Diário do Nordeste

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